terça-feira, 30 de setembro de 2008

Rio, midia, carnaval e discos / 1902

Segue algumas informações de um dos livros do Darcy Ribeiro. Escolhi dois topicos de 1902, para voces pensarem sobre o termo pagode, mercantilização/popularização da música e racismo/preconceito no Brasil:
  • Tragedia no carnaval: dois blocos carnavalescos rivais se defrontaram na Praia de Botafogo. Pancadaria grossa e dois mortos. Nos velórios - a imprensa horrorizada registra - muita bebedeira e muita pagodeira. Os foliões são enterrados ao som de uma marcha de Candinho, singela na letra mas alegrissima no ritmo:

"Que bela rosa

Que lindo jasmim

Eu vi o triunfo

Lá no meu jardim"

  • Fred Figner começa a gravar discos com um repertorio de modinhas e lundus. Nos anos seguintes, gravaria e venderia milhões de discos de canções, hinos, poemas e discursos eloquëntissimos. O primeiro disco foi o lundu Isto É Bom, escrito pelo mulato Xisto Bahia e cantado pelo célebre Bahiano, mulato igualmente:

"O inverno é rigoroso

já dizia minha avó

Quem dorme junto tem frio

Quanto mais quem dorme só

Isto é bom, isto é bom

Isto é bom que dói ... "

fonte:

Livro - Aos trancos e barrancos - como o Brasil deu no que deu

Darcy Ribeiro - 2.a edição, 1985 - Editorra Guanabara

Materia sobre Blogs de samba por Andre Carvalho

Roubei mais uma materia do excelente Andre, no seu blog Couro do cabrito, aproveitem:


Blogs de Samba
Para escrever sobre blogs de samba eu preciso, antes, contar como nasceram os meus blogs de samba. Desde a época em que fiz um trabalho de conclusão de curso sobre samba de terreiro na faculdade, eu passei a pesquisar com afinco este ritmo quente. Passei, então, a publicar algumas coisas no Idéias de Improviso, que como o próprio nome diz, reúne textos diversos. Depois de algum tempo pensei que precisava fazer um blog exclusivo de samba.Surgiu este Couro do Cabrito. Aqui, coloco textos, sambas para ouvir, informações sobre discos, documentos históricos, vídeos e muito mais. Com o tempo, foi ganhando vida e, hoje, fico muito feliz quando comentam e elogiam seu conteúdo.
Pois bem, eu já tinha o Couro, mas queria postar discos de samba completos para o povo baixar. Eis que surgiu, então, o Prato e Faca. Passei a assinar Alvarenga do Morro do Chapelão neste novo blog e comecei a postar as brasas. Hoje o blog já conta com 120 álbuns. E sou bem chato no que diz respeito ao repertório: nada de Cacique de Ramos e derivados, nada de samba comercial e nada que, particularmente, eu não goste.Algum tempo depois, criei mais um blog, o Coisa da Antiga. Este aí é a menina dos meus olhos, apesar da freqüência de postagens não ser tão ágil. Explico por que gosto tanto dele: lá, eu disponibilizo fonogramas antigos, da época dos 78 rpm. Faço compilações de compositores desconhecidos e consagrados. Vibro quando vejo que uma porrada de gente já baixou os sambas do Caxiné, do Príncipe Pretinho, do Djalma Mafra...
Antes de criar estes blogs, entretanto, já fuçava na internet atrás de blogs de samba onde eu pudesse baixar bons discos. Primeiro conheci o Cápsula da Cultura, depois veio o Um Que Tenha e, mais tarde, o Loronix. São blogs com ótimos acervos: o Cápsula da Cultura disponibiliza discos de música popular brasileira difíceis de encontrar, assim como o Loronix, que só tem velharia. O Um Que Tenha põe até lançamento e por conta disso, tiveram um problema recentemente com a gravadora Biscoito Fino, que pediu para que eles tirassem do blog seus álbuns. O Fulano Sicrano, que assina o blog, atendeu prontamente.Além desses citados blogs que disponibilizam brasas, ainda temos o Toque Musical, o Abracadabra e outros baús de tesouros perdidos pela rede.Blogs com muita informação sobre sambaÉ importante ressaltar que, além desses blogs que disponibilizam discos, também existem blogs de samba com muita informação e histórias do samba. Desses todos, o que eu mais gosto é o Terreiro Grande, tocado pelo Renato Martins e pelo Ricardo Brigante. Lá podemos escutar várias raridades, ler muita coisa interessante e aprender cada vez mais sobre os antigos compositores do nosso samba.
No mesmo estilo deste blog, recentemente surgiu o Samba de Terreiro de Mauá, com informações sobre antigos bambas e algumas músicas para baixar. Preciso ainda citar os ótimos Em Nome do Samba, o Só Candeia, além do Vermute com Amendoim, que possui uma boa equipe de estudantes de jornalismo/ amantes do samba que atualizam o blog constantemente.A dica é explorar todos estes blogs e, a partir deles, conhecer novos sítios.
Com certeza tem muito mais coisa que não citei aqui. Segue a lista dos links:
Prato e Faca
Coisa da Antiga
Terreiro Grande
Cápsula da Cultura
Um Que Tenha
Loronix
Toque Musical
Abracadabra
Samba de Terreiro de Mauá
Vemute com Amendoim
Em Nome do Samba
Só Candeia

Postado por André Carvalho
fonte: Blog Couro do Cabrito

Blog Couro do Cabrito - indicação

- mais uma indicação para melhorarmos nossso uso da internet.


O Couro do Cabrito
Do couro do cabrito, do boi, do bode, do gato é que o bom mulato faz samba. Jacarandá, massaranduba, embaúba, pinho e aço, mas sem embaraço, vai logo pra debaixo do braço de algum tocador. Com algum tira-gosto, cerveja e cachaça, a graça no rosto de todos se espalha... Com a palha na cabeça, mas por favor, não se esqueça: o samba é de todos!

fonte: Andre Carvalho - Blog Couro do Cabrito

Andre Carvalho:
Quem é?
"Eu sou um apaixonado pelo samba. A relação que tenho com o samba é amor incondiconal, sou um batalhador pela valorização e resgate do samba autêntico. Ele faz tanto por mim, que me sinto na obrigação de retribuir toda essa gratidão a ele.Esse espaço é um espaço de resistência cultural. Resiste à massificação da cultura, resiste à pasteurização da cultura, resiste ao que é mediocremente imposto ao nosso povo. O samba, expressão mais pura e autêntica de nossa música popular ainda padece pela indiferença. Mas aqui não!!Sou autor (em parceria com o jornalista Iuri Ribeiro) do livro “Pagodeando – um mergulho no samba de terreiro”, ainda sem edição, além de ser o idealizador e articulador dos blogues de resistência cultural e difusão de samba bom Prato e Faca e Coisa da Antiga.Sou jornalista, sambista, compositor, e, além do Couro do Cabrito, também escrevo nos blogues Idéias de Improviso, Gorducha no Barbante e Conteúdo Coletivo."

E-mail para contato
carvalhoandre@gmail.com

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Altamiro Carrilho - choro (parte 3)

Terceira parte do texto do Tarik e detalhes do show no Guairão aqui em Curitiba, dia 16 outubro 2008. Haroldo Costa, Ze da Velha, Silverio em Curitiba - bom, muito bom!!!

Sim, além de flautista, compositor, band leader, Altamiro foi produtor, responsável pela explosão fonográfica do palhaço Carequinha (que o encontra aos 90 anos, pouco antes de falecer, no comovente “Dois meninos”, do DVD), para quem compôs entre outros os mega sucessos “O bom menino” e “Parabéns, parabéns” (ambos com Irany de Oliveira), trilha dos aniversários infantis nacionais. Inquieto, sempre procurando novos desafios virtuosísticos, o autor do irônico “O disco enguiçou”, do miscigenado “Eterno jovem Bach”, do intrincado “Enigmático”, AC é o flautista do encorpado solo de “Meu caro amigo”, clássico de Chico Buarque (e Francis Hime), cuja gravação original, de 1976, recapitula em estúdio, num dos DVDs, ao lado do compositor. Mas também é o que dueta com Roberto Carlos no programa do Rei, na TV, numa versão turbinada de “O calhambeque”.
E ainda o que se multiplica num curioso quarteto de flautas, tocando “Primeiro amor”, de Patápio. E o que se reúne a outros ases em “Choro das estrelas” (Carolina Cardoso de Menezes, Abel Ferreira, Raul de Barros, Zé Menezes, Waldir Azevedo), em mais um tape pesquisado no arquivo da TV Globo. São imagens que adensam este projeto de recolocação de Altamiro Carrilho no pedestal que sempre mereceu.
A coroação da iniciativa começa no show do Guaíra, dia 16 de outubro, reunindo Hamilton de Holanda, Carlos Malta, Cristóvão Bastos, João Lyra, Orquestra Sinfônica do Paraná, Soraya Ravenle, Alfredo del Penho, Maurício Einhorn, Silvério Pontes e Zé da Velha, Trio Catuaba (PR), João Egashira (PR) e Juliao Boêmio (PR). Todos tocarão um choro clássico e um tema de Altamiro, com arranjos de Alessandro Cardozo e Charles da Costa, músicos do grupo Zé da Verlha e Silverio Pontes.
A apresentação será de Haroldo Costa, sob roteiro de João Carlos Carino. A direção é de Carino, o mesmo do concerto seminal de Niterói. É hora de saudar o mago de 112 discos (alguns na Rússia, Japão, Itália, México), do popular ao clássico (um deles até “em compasso de choro”), que gravou. Do espiral “Modulando”, de Rubens Leal Brito (“a modulação vai da primeira à ultima nota”) ao intenso “Galope” (“o maestro Alceu Bochino me disse que equivale à dificuldade do ‘Moto perpétuo’, de Paganini, no violino”) além do “Oriental”, de Patápio Silva (“fiz 12 ‘play-backs’ usando seis flautas diferentes”). Músico instintivo que aprendeu na prática, à medida em que procurava superar-se, Altamiro Carrilho conhece o caminho das pedras. “Alguns músicos sentem inveja porque eu não cursei a Escola Nacional de Música”, confidenciou-me numa conversa na Confeitaria Colombo, inserida num dos DVDs.
E arrematou, bem humorado, numa definição de seu trajeto luminoso de sumidade auto lapidada: “Diploma não toca”. (Tárik de Souza)

Altamiro Carrilho - choro (parte 2)

segue o texto do Tarik:

Tinha cinco anos quando um menino vizinho ganhou uma flauta de brinquedo e ele pediu “à Papai Noel” uma igual. Enquanto o outro não conseguia ir além de garranchos sonoros, Altamiro logo no primeiro dia descobriu as utilidades dos furinhos, trancou-se no quarto e saiu de lá tocando a primeira marchinha. Um carteiro o levou a um professor para as primeiras aulas, impressionado com seu desempenho numa limitada flautinha de bambu.
E Moreira da Silva, o rei do samba de breque deu-lhe a primeira oportunidade de gravar, em 1943, nos meneios do samba “Juraci”, então sucesso de Vassourinha.
Altamiro passou por vários regionais, fundou o próprio e, inspirado na Lira de Aryon, assídua do coreto da pracinha de Santo Antonio de Pádua, fundou a bandinha do Altamiro. Durante “dois anos e nove meses” (como ele contabilizou), em meados dos 50, ela antecedia o “Repórter Esso”, na TV-Tupi, aos sábados, com audiência máxima, a ponto de emplacar um milhão de cópias do maxixe “Rio antigo”, em 1954.
O próprio Altamiro era o autor, como o foi de vários temas que desfilam pelos CDs. Tanto no roteiro das “Interpretações históricas” (“Esquerdinho na gafieira”, “Deixe o breque pra mim”, “Samba de morro”, “Direitinho”, “Pinguinho de gente”) quanto nos registros do concerto de Niterói, onde recebe convidados como o pianista e arranjador Gilson Peranzzetta (“Despedida”), o violinista francês Nicolas Krassik e a cantora e instrumentista Nilze Carvalho (no samba canção pré-bossa “Meu sonho é você”, com Átila Nunes), além do mano Álvaro Carrilho, seu comparsa na flauta em “Urubu-rei”.
Outros convidados de várias latitudes com quem dialoga mesclam o piano de Maria Teresa Madeira (“Corta jaca”, de Chiquinha Gonzaga), o clarinete de Paulo Sérgio Santos (“Sonoroso”, de K-Ximbinho”, “Chorando baixinho”, de Abel Ferreira), o sax de Nailor Proveta e o piano de Cristóvão Bastos (“Ingênuo” e “Ainda me recordo”, ambos de Pixin­guinha), o trombone de Zé da Velha e o trompete de Silvério Pontes (“Na glória”, de Raul de Barros, “Amor não se compra”, de Bonfiglio de Oliveira) e a gaita de Maurício Einhorn (“Pedacinhos de céu”, Waldir Azevedo). Detalhe: Einhorn teve seu clássico “Tristeza de nós dois”, com Durval Ferreira e Bebeto, e “Sambop”, só com Durval, lançados em 1960, num precioso disco produzido por Altamiro, “Nova geração em ritmo de samba”. O vinil também abria espaço para os talentos iniciantes de Eumir Deodato (“ele era muito garoto e eu o ensinei a fazer arranjo”, conta num dos depoimentos dos DVDs), Claudette Soares, Orlan Divo e do humorista Paulo Silvino, na época arriscando-se na bossa nova, que tam­bém teria Altamiro em suas fileiras.

Altamiro, Choro e o show dia 16 out - Guairao

o texto é do otimo Tarik de Souza
- tem praticamente toda a trajetoria do Altamiro e umas pinceladas na historia do choro.

“Existem flautistas. E existe Altamiro Carrilho”.

A frase do marselhês Jean-Pierre Rampal (1922-2000), reconhecido mundialmente por ter estabelecido a flauta como instrumento solista na música erudita, ganhou inesperado desdobramento quando cinco flautistas da não menos renomada Orquestra Filarmônica de Berlim foram à casa do maestro erudito Julio Medaglia, em São Paulo, em maio de 2000, para uma sessão de caipirinhas e um sarau de Altamiro. Pela TV, veio a notícia da morte de Rampal, e um dos flautistas convidados emendou de bate pronto: “Agora Altamiro pode brilhar sozinho”.
A história é narrada pelo próprio Medaglia, autor do célebre arranjo de “Tropicália” para Caetano Veloso, num dos 4 DVDs deste projeto que (re)apresenta (para não utilizar o surrado “resgata”) aos brasileiros um conterrâneo tão genial quanto esquecido.
Do projeto, além dos DVDs com seis horas de gravação – inclu­indo o concerto do músico com convidados no Teatro Municipal de Niterói, realizado em agosto de 2006, “making of”, “docuclipe”, tapes históricos e entrevistas – consta uma caixa de três CDs Poesia do Sopro, com o registro do evento e uma antologia de gravações históricas do flautista realizadas entre 1952 e 1965.
A caixa será lançada num show em Curitiba no Teatro Guaíra, dia 16 de outubro. Os DVDs A Fala da Flauta sairão em dezembro. E esta é apenas a parte inicial do projeto, que terá até um longa metragem documental, Canarinho Teimoso, assinado por Anna Sutor.

Altamiro Carrilho procede de uma nobre linhagem, que construiu a espinha dorsal da nossa linha evolutiva. Começa em Joaquim da Silva Calado (1848-1880), considerado o fundador do gênero com seu grupo O choro de Calado, à base de flauta, dois violões e cavaquinho. Segue por Viriato (Figueira da Silva, 1851-1883), fluminense de Macaé, autor da polca “Só para moer”, passa por Patápio Silva (1880-1907), o de “Primeiro amor”, fluminense de Itaocara e desemboca no notório carioca Alfredo da Rocha Viana, o Pixinguinha (1897-1973), de quem nem é preciso falar. Num episódio controvertido, Pixinguinha passa para o sax e lega a flauta a outro fluminense de Macaé, o virtuose Benedito Lacerda (1903-1958), fundador de um célebre regional com seu nome, em 1935, integrado pelos mestres Dino, Meira (professor de Baden Powell, Raphael Rabello e do sobrinho de Altamiro, Maurício Carrilho) e Canhoto. Este último, assume o grupo com a saída de Lacerda, e convoca para seu lugar um brilhante discípulo do substituído, que vira atuar nos regionais de Cesar Moreno e Rogério Guimarães. É Altamiro Aquino Carrilho, fluminense de Santo Antonio de Pádua, nascido em 1924, que se tornaria um luminar do instrumento que aprendeu a domar muito pequeno.

Altamiro Carrilho

E arrematou, bem humorado, numa definição de seu trajeto luminoso de sumidade auto lapidada: “Diploma não toca”.

(texto de Tárik de Souza - citando um comentario de Altamiro num dos trechos onde relata a trajetoria do flautista)

Cozinha do Cimples











Minhas filhotas em plena atividade na cozinha, preparando um peixe no domingo, 28

Cartola - depoimento MIS/RJ

http://www.mis.rj.gov.br/new/sons/cartola.ra

sábado, 27 de setembro de 2008

Projeto Partido Alto Samba de fato- RJ 2003

Este projeto do CCBB teve a direção do Luis Felipe de Lima, musico, arranjador, produtor, violão 7 cordas de primeira, gente boa lá do Rio. Foi realizado de 04 a 25 de fevereiro de 2003. Nesse projeto (não esta na foto) a Jandira do Grupo Bom Partido (Floripa-SC) participou e lembro que em 2002 dei uma mãozinha na sua ida num concurso de partideiros no Rio (que alias, venceu). O Bom Partido participou ativamente da programação do Cimples SambaEChoro entre 2001 e 2004, em balneario Guarapari - Pontal do Parana - Pr. Entre 2001 e 2004 trouxe alguns grandes sambistas (na minha concepção) para apresentações no Cimples entre eles Camunguelo, Tantinho, Marquinho China, Casquinha que tive o privilegio de partilhar historias e convivio por alguns dias e que estão na foto abaixo. Xango da Mangueira participou especialmente do meu aniversario em 2001 aqui em Curitiba. Na foto de divulgação CCBB, da esquerda p/direita estão: em pé> Luis F. de Lima, Camunguelo, Pedro Amorim, Marquinho China, Ivan Milanez, Tantinho, Pedro Miranda, Pretinho, Marcia Tavares, Cristina Buarque. sentados> Paulino Dias, Marquinhos Basilio, Casquinha, D. Ivone Lara, Xango da Mangueira, Nei Lopes, Arlindo Cruz e Tia Surica.



quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Aniceto do imperio - RJ

""


Não se enganem com os idolos forjados

Mestre Aniceto do Imperio - Partido Alto
Samba, jongo
- Destaque do Partido Alto,
- um dos grandes partideiros da historia.
Grande conhecedor de jongo e das tradições negras. É considerado por sambistas e grandes partideiros como Xango da Mangueira, Tantinho e Marquinho China como um dos ultimos mestres do Partido Alto legitimo. Com mais de 600 composições (!!!!! uau!!!) catalogadas e poucos gravadas tinha um estilo proprio ("construções rebuscadas" - termo do clique music)) e vocabulario diferenciado. Pois é ... tem somente um disco individual e aos 70 anos - "Partido Alto nota 10" em 1984 pela CID. Tem um outro com mestre Campolino, produção do Elton Medeiros em 1977, com nove musicas suas.
Foi fundador e orador do Imperio Serrano (1947). Estivador. Adivinhem se tocou nas radios na epoca de ouro ou esteve na TV decadas após ...
- foi reconhecido bem mais tarde e somente pelo povo do samba. Com certeza é um dos maiores.
sites consultados: Clique music, Agenda Samba-Choro

Manifestação musical - obra / artista / ouvinte ...

segundo Mario de Andrade (1893-1945):
- separei alguns trechos para nossa reflexão:

"Pode-se dizer que a manifestação musical é uma fusão de quatro entidades distintas: o criador, a obra-de-arte, o interprete e o ouvinte"

trecho fusão social pela manisfestação musical:
" O que leva o homem a criar artisticamente é principalmente o que caracterizei atras como o desejo de amigo, a comunicação com os semelhantes".

e num outro sobre o Criador:
"É um erro se imaginar que das tres entidades subjetivas que enumerei, o interprete e o ouvinte sao entidades subalternas".

sobre interprete:
" O interprete revela a obra do musico. Sujeita-se pois inicialmente a uma passividade absoluta que o leva à compreeesão da obra e do criador. "

e ouvinte:
O ouvinte se acostuma a uma determinada manifestação de arte e por critica, nunca por prazer estético, se recusa a gozar com outras manifestações artisticas que diferem dessa forma admitida. Ou mesmo imagina gostar só porque as novas manifestações se aproximam dessas formas admitidas. São as modas. ... Só é realmente digno do nome de ouvinte aquele que livre de todos os preconceitos, ignorando todos os ídolos, se conserva naquela exata atitude de contemplação passiva que lhe permite gozar e amar."

Conclusão:
"Eis a manifestação artistica musical tal qual se realiza objetivamente. É uma mensagem de amor que o criador envia a que o interprete dá da sua vida pessoal para que o ouvinte compreenda um desejo de amigo. Compreende. Se a obra-de-arte é bela o ouvinte aceita o amigo que se oferece e lhe corresponde o amor. Cabe ao ouvinte aceitar ou recusar esse amor. Se souber realmente ser ouvinte é certo que amará mais que odiará. O amor é tão fácil! ...

Fonte: livro - Mario de Andrade - Introdução à estetica musical (Hucitec - SP, 1995)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Marchinha do Claudio Jorge e Mauro Diniz e um bom blog

Andei visitando o blog do violonista Claudio Jorge (RJ), grande figura do samba e homem de otimos textos. A partir deste mes os cariocas começam a viver mais intensamente seu carnaval, então .... postei o que eu gosto... blocos, marchinhas, rua (nada de avenida)
visite: blogdoclaudiojorge.blogspot.com

VOLANTE COM CACHAÇA NÃO COMBINA(Mauro Diniz e Cláudio Jorge)

Seu taxista eis aqui meu endereço
Eu já tomeis umas e outras sim senhor
Volante com cachaça não combina
E a vida não tem preço não senhor
Sou um cachaça
Mas não sou burro não
Se eu bebo eu não pego a direção
E se não tem ninguém pra me levar
Eu dou um tempo até a coisa melhorar
Eu bebo pinga, bebo cerveja
Eu bebo tudo que tiver na mesa
Pra não contrariar minha mulher
Eu largo o carro e vou andando a pé

- eles venceram o concurso de marchinhas da Fundição Progresso no inicio de 2008(versão 2007/2008).

domingo, 21 de setembro de 2008

Indicação de livro- comidas do Brasil


Em pleno domingo fiz algumas buscas ou viagens virtuais a procura de novos pratos para a reunião do "umbigos recostados na mesa" às terças no Cimples Ócio, encontrei este blog e surrupiei o texto. Já tinha lido algumas coisas sobre o livro. É salgado (rsrsr) custa R$ 95, mas que vai adocicar e agregar valores historicos e comensais.

indicação de livro:




viagem gastronômica através do brasil
(texto de Kátia Najara (Katita - http://www.rainhasdolar.com/)

de Caloca Fernandes (é macho!)

É uma prova incontestável de que a gastronomia é dado cultural da maior importância. a generosidade da natureza para conosco, propiciando infindáveis recursos, e a inventividade do nosso povo, desde a chegada de cabral, resultaram na criação de pratos de inigualável sabor advindos de todos os cantos do país.
O livro é organizado por regiões (a cara do nosso blog). cada qual apresenta os seus quitutes mais característicos, lindamente ilustrados por fotografias enormes que parecem que vão saltar do livro, de tão vivas que são, de nossas feiras, insumos, peixes, frutas e cultura gastronômica popular.
A alimentação indígena, somada à contribuição portuguesa, à africana, um pouco da história dos nossos insumos mais característicos, como o milho, a mandioca, o feijão, o arroz, a carne-seca, o acúcar e o café, introduzem a viagem que começa pelo norte, com pato no tucupi, maniçoba, musse e brigadeiro de açaí, tacacá, beiju, pudim de tapioca, torta de cupuaçu, e tantas outras delícias à mesa.
Chegando ao nordeste, a dieta inclui as peixadas e o arroz de cuxá do maranhão, o atolado de caranguejo e a queijadinha do ceará, o bolo de rolo, a paçoca de carne, o arroz de leite e a galinha de cabidela pernambucana, até os beiços lambuzados de dendê pelo acarajé, efó, moquecas, bobó, vatapá, caruru, arroz-de-hauçá, carne-de-sol com pirão de leite, cuzcuz, mingaus, bolos de carimã e quindins de iaiá de sobremesa, aqui da bahia.
O centro-oeste nos ensina a fazer escabeche de pacu, caldo de piranhas, linguiça de maracaju, arroz com guariroba, pamonhas, arroz de pequi e arroz de puta rica, que já vale a pena só pelo nome.
O sudeste tem a contribuição do clássico tutu de feijão, angu e broinhas de milho de minas; a autêntica feijoada, o bolinho de bacalhau, o camarão com chuchu e a caipirinha cariocas;
De são paulo, o cuzcuz paulista, o filé do moraes, as rãs à inezita barroso, os pastéis de palmito, farnel, bolo do quibebe, e goiabada cascão de sobremesa.
O sul fecha o cardápio com barreado, tainha na telha, arroz de carreteiro, galeto al primo canto, vinho quente e ambrosia.
Esse livro é emocionante e fica muito bem largadão em algum lugar da casa de tão lindo que ele é. Penso tratar-se de leitura obrigatória para todos nós que gostamos de comida e história do brasil.]

Senac - São Paulo. capa dura, 30cm X 23cm. 95 pilas.


fonte:

http://www.rainhasdolar.com/

Origens do samba - Jongo / informações / fontes

Segue as referencias (livros, filmes, discos) que estavam no wikipedia:

Jongo - Referências

Bibliografia


Carneiro, Edison. “Samba de umbigada.” In: Folguedos Tradicionais. Rio de Janeiro: Funarte/INF, 1982 [1961].
Dias, Paulo. “A outra festa negra.” In: István Jancsó & Iris Kantor (orgs.) Festa: cultura e sociabilidade na América Portuguesa. São Paulo: Hucitec/Edusp/Fapesp/Imprensa Oficial, 2001.
Gandra, Edir. Jongo da Serrinha, da senzala aos palcos. Rio de Janeiro: Giorgio Gráfica e Editora ltda./UNI-RIO, 1985.
Lara, Silvia Hunold & Pacheco, Gustavo (orgs.) Memória do jongo: as gravações históricas de Stanley J. Stein. Rio de Janeiro: Folha Seca, 2007.
Pacheco, Gustavo. “Jongos.” In: Colin Palmer (ed.) Encyclopedia of African-American Culture and History: The Black Experience in the Americas. New York: Macmillan, 2005.
Perez, Carolina dos Santos Bezerra. Juventude, Música e Ancestralidade no Jongo: Som e Sentidos no Processo Identitário São Paulo: USP (Dissertação de Mestrado), 2005.
Ribeiro, Maria de Lourdes Borges Ribeiro. O Jongo. Rio de Janeiro: Funarte, 1984.
Simonard, Pedro. "A construção da tradição no Jongo da Serrinha: uma etnografia visual do seu processo de espetacularização". Rio de Janeiro:UERJ (tese de doutorado), 2005.
Silva, Gilberto Augusto da & Gouvêa, Ana Maria de. "Jongo de Piquete, um novo olhar": Histórico do Jongo de Piquete. Piquete/SP, 2007.
Silva, Marília T. Barboza da & Oliveira Filho, Arthur L. de. Silas de Oliveira: do jongo ao samba-enredo. Rio de Janeiro: Funarte, 1981.
Stein, Stanley J. Vassouras: um município brasileiro do café, 1850-1900. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1990.
Valença, Rachel Teixeira & Valença, Suetônio Soares . Serra, Serrinha, Serrano, o império do Samba. Rio de Janeiro: José Olympio, s/d.

Discografia

100% Gonça. Caixa Preta. Rio de Janeiro:Independente, 1999. CD. Digital audio.
Batuques do Sudeste. Coleção Itaú Cultural/Documentos Sonoros Brasileiros – Acervo Cachuera!, vol. 2. São Paulo: Associação Cultural Cachuera!/Itaú Cultural, 2000. CD.
Clementina de Jesus. Odeon, 1966. LP 33 1/3 rpm.
Daude #2. Daude. Rio de Janeiro:Natasha, 1997.CD.
Jongo do Quilombo da Fazenda São José. Rio de Janeiro: Associação Brasil Mestiço, 2004. CD.
Jongo da Serrinha. Rio de Janeiro: Grupo Cultural Jongo da Serrinha, 2002. CD.
Jongos do Brasil. Rio de Janeiro: Associação Brasil Mestiço, 2006. CD.
Quilombo. Grupo Basam. Tapecar, s/d. LP 33 1/3 rpm.

Filmografia

Caxambu de Sá Maria. Direção de Guilherme Fernandes. Rio de Janeiro: Independente. Vídeo (65 min.), son., color.
Feiticeiros da palavra: o jongo do Tamandaré. Direção de Rubens Xavier. São Paulo:Núcleo de Documentários da TV Cultura; Associação Cultural Cachuera!, 2001. Vídeo (56min.), son., color.
Saravá jongueiro. Direção de Bianca Brandão, Cecília de Mendonça e Luisa Helena Pitanga. Rio de Janeiro:Independente, 2003. Vídeo (24 min.), VHS, son., color.
Salve jongo!. Direção de Pedro Simonard. Rio de Janeiro:Independente, 2005. Vídeo e DVD (25 min.), son., color.

Origens do samba - jongo

Nas postagens sobre a historia do samba que me dispus a deixar no blog, escolhi os textos da Nancy Alves, que não citou o jongo. Encontrei este texto bem formatado no wikipedia e repasso para ficar mais contextualizado o trem:

A influência e contribuição do jongo

Jongo é uma manifestação cultural essencialmente rural diretamente associada à cultura africana no Brasil e que influiu poderosamente na formação do Samba carioca, em especial, e da cultura popular brasileira como um todo.
Inserindo-se no âmbito das chamadas 'danças de umbigada' (sendo portanto aparentada com o 'Semba' ou 'Masemba' de Angola), o Jongo foi trazido para o Brasil por negros bantu, seqüestrados nos antigos reinos de Ndongo e do Kongo, na região compreendida hoje por boa parte do território da República de Angola.
Composto por música e dança características, animadas por poetas que se desafiam por meio da improvisação, ali, no momento, com cantigas ou pontos enigmáticos ('amarrados') , o Jongo tem, provavelmente, como uma de suas origens mais remotas (pelo menos no que diz respeito á estrutura dos pontos cantados) o tradicional jogo de adivinhas angolano, denominado Jinongonongo. Uma característica essencial da linguagem do Jongo é a utilização de símbolos que, além de manter o sentido cifrado, possuem função supostamente mágica, provocando, supostamente, fenômenos paranormais. Dentre os mais evidentes pode-se citar o fogo, com o qual são afinados os instrumentos; os tambores, que são consagrados e considerados como ancestrais da comunidade; a dança em círculos com um casal ao centro, que remete à fertilidade; sem esquecer, é claro, as ricas metáforas utilizadas pelos jongueiros para compor seus "pontos" e cujo sentido é inacessível para os não-iniciados.
Hoje em dia podem participar do Jongo homens e mulheres, mas esta participação, em sua forma original era rigorosamente restrita aos iniciados ou mais experientes da comunidade. Este fator relaciona-se a normas éticas e sociais bastante comuns em diversas outras sociedades tradicionais - como as indígenas americanas - baseadas no respeito e obediência a um conselho de indivíduos 'mais velhos' e no 'culto aos ancestrais'.
Pesquisas históricas indicam que o Jongo possui, na sua origem, relações com o hábito recorrente das culturas africanas de expressão bantu, durante o período colonial, de criar diversas comunidades, semelhantes a sociedades secretas e seitas político-religiosas especializadas, dentre as quais podemos citar até mesmo irmandades católicas, como a Congada. Estas fraternidades tiveram importante papel na resistência à escravidão, como modo de comunicação e organização, e até mesmo comprando e alforriando escravos.
Dançado e cantado outrora com o acompanhamento de urucungo (arco musical bantu, que originou o atual berimbau), viola e pandeiro, além de três tambores consagrados, utilizados até os nossos dias, chamados de Tambu ou 'Caxambu', o maior - que dá nome a manifestação em algumas regiões - 'Candongueiro', o menor e o tambor de fricção 'Ngoma-puíta' (uma espécie de cuíca muito grande), o Jongo é ainda hoje bastante praticado em diversas cidades de sua região original: o Vale do Paraíba na Região Sudeste do Brasil, ao sul do estado do Rio de Janeiro e ao norte do estado de São Paulo. Entre as diversas comunidades que mantêm (ou, até recentemente, mantiveram) a prática desta manifestação, pode-se citar, como exemplo, as localizadas na periferia das cidades de Valença, Vassouras , Paraíba do Sul e Barra do Piraí (Rio de Janeiro) além de Guaratinguetá e Lagoinha (São Paulo), com reflexos na região dos rios Tietê, Pirapora e Piracicaba, também em São Paulo (onde ocorre uma manifestação muito semelhante ao Jongo conhecida pelo nome de 'Batuque') e até em certas localidades no sul de Minas Gerais.
Na cidade do Rio de Janeiro, a região compreendida pelos bairros de Madureira e Oswaldo Cruz, já nos anos imediatamente posteriores à abolição da escravatura, centralizou durante muito tempo a prática desta manifestação na zona rural da antiga Corte Imperial, atraindo um grande número de migrantes ex-escravos, oriundos das fazendas de café do Vale do Paraíba. Entre os precursores da implantação do Jongo nesta área se destacaram a ex-escrava Maria Teresa dos Santos muitos de seus parentes ou aparentados além de diversos vizinhos da comunidade, entre os quais Mano Elói (Eloy Anthero Dias), Sebastião Mulequinho e Tia Eulália, todos eles intimamente ligados a fundação da Escola de Samba Império Serrano, sediada no Morro da Serrinha.
A partir de meados da década 70, no mesmo Morro da Serrinha, o músico percussionista Darcy Monteiro 'do Império' (mais tarde conhecido como Mestre Darcy), a partir dos conhecimentos assimilados com sua mãe, a rezadeira Maria Joana Monteiro (discípula de Vó Teresa), passando a se dedicar á difusão e a recriação da dança em palcos, centros culturais e universidades, estimulando por meio de oficinas e workshops, a formação de grupos de admiradores do Jongo que, embora praticando apenas aqueles aspectos mais superficiais da dança, deslocando-a de seu âmbito social e seu contexto tradicional original, dão hoje a ela alguma projeção nacional.
Ainda no âmbito da cidade do Rio de Janeiro, é digno de nota também o 'Caxambu do Salgueiro', grupo de Jongo tradicional que, comandado por Mestre Geraldo, animou, pelo menos até o início da década de 1980, o Morro do Salgueiro, no bairro da Tijuca e era composto por figuras históricas daquela comunidade, entre as quais Tia Neném e Tia Zezé, famosas integrantes da ala das baianas da Escola de Samba G.R.E.S Acadêmicos do Salgueiro.Jongo é uma manifestação cultural essencialmente rural diretamente associada à cultura africana no Brasil e que influiu poderosamente na formação do Samba carioca, em especial, e da cultura popular brasileira como um todo.
Inserindo-se no âmbito das chamadas 'danças de umbigada' (sendo portanto aparentada com o 'Semba' ou 'Masemba' de Angola), o Jongo foi trazido para o Brasil por negros bantu, seqüestrados nos antigos reinos de Ndongo e do Kongo, na região compreendida hoje por boa parte do território da República de Angola.
Composto por música e dança características, animadas por poetas que se desafiam por meio da improvisação, ali, no momento, com cantigas ou pontos enigmáticos ('amarrados') , o Jongo tem, provavelmente, como uma de suas origens mais remotas (pelo menos no que diz respeito á estrutura dos pontos cantados) o tradicional jogo de adivinhas angolano, denominado Jinongonongo. Uma característica essencial da linguagem do Jongo é a utilização de símbolos que, além de manter o sentido cifrado, possuem função supostamente mágica, provocando, supostamente, fenômenos paranormais. Dentre os mais evidentes pode-se citar o fogo, com o qual são afinados os instrumentos; os tambores, que são consagrados e considerados como ancestrais da comunidade; a dança em círculos com um casal ao centro, que remete à fertilidade; sem esquecer, é claro, as ricas metáforas utilizadas pelos jongueiros para compor seus "pontos" e cujo sentido é inacessível para os não-iniciados.
Hoje em dia podem participar do Jongo homens e mulheres, mas esta participação, em sua forma original era rigorosamente restrita aos iniciados ou mais experientes da comunidade. Este fator relaciona-se a normas éticas e sociais bastante comuns em diversas outras sociedades tradicionais - como as indígenas americanas - baseadas no respeito e obediência a um conselho de indivíduos 'mais velhos' e no 'culto aos ancestrais'.
Pesquisas históricas indicam que o Jongo possui, na sua origem, relações com o hábito recorrente das culturas africanas de expressão bantu, durante o período colonial, de criar diversas comunidades, semelhantes a sociedades secretas e seitas político-religiosas especializadas, dentre as quais podemos citar até mesmo irmandades católicas, como a Congada. Estas fraternidades tiveram importante papel na resistência à escravidão, como modo de comunicação e organização, e até mesmo comprando e alforriando escravos.
Dançado e cantado outrora com o acompanhamento de urucungo (arco musical bantu, que originou o atual berimbau), viola e pandeiro, além de três tambores consagrados, utilizados até os nossos dias, chamados de Tambu ou 'Caxambu', o maior - que dá nome a manifestação em algumas regiões - 'Candongueiro', o menor e o tambor de fricção 'Ngoma-puíta' (uma espécie de cuíca muito grande), o Jongo é ainda hoje bastante praticado em diversas cidades de sua região original: o Vale do Paraíba na Região Sudeste do Brasil, ao sul do estado do Rio de Janeiro e ao norte do estado de São Paulo. Entre as diversas comunidades que mantêm (ou, até recentemente, mantiveram) a prática desta manifestação, pode-se citar, como exemplo, as localizadas na periferia das cidades de Valença, Vassouras , Paraíba do Sul e Barra do Piraí (Rio de Janeiro) além de Guaratinguetá e Lagoinha (São Paulo), com reflexos na região dos rios Tietê, Pirapora e Piracicaba, também em São Paulo (onde ocorre uma manifestação muito semelhante ao Jongo conhecida pelo nome de 'Batuque') e até em certas localidades no sul de Minas Gerais.
Na cidade do Rio de Janeiro, a região compreendida pelos bairros de Madureira e Oswaldo Cruz, já nos anos imediatamente posteriores à abolição da escravatura, centralizou durante muito tempo a prática desta manifestação na zona rural da antiga Corte Imperial, atraindo um grande número de migrantes ex-escravos, oriundos das fazendas de café do Vale do Paraíba. Entre os precursores da implantação do Jongo nesta área se destacaram a ex-escrava Maria Teresa dos Santos muitos de seus parentes ou aparentados além de diversos vizinhos da comunidade, entre os quais Mano Elói (Eloy Anthero Dias), Sebastião Mulequinho e Tia Eulália, todos eles intimamente ligados a fundação da Escola de Samba Império Serrano, sediada no Morro da Serrinha.
A partir de meados da década 70, no mesmo Morro da Serrinha, o músico percussionista Darcy Monteiro 'do Império' (mais tarde conhecido como Mestre Darcy), a partir dos conhecimentos assimilados com sua mãe, a rezadeira Maria Joana Monteiro (discípula de Vó Teresa), passando a se dedicar á difusão e a recriação da dança em palcos, centros culturais e universidades, estimulando por meio de oficinas e workshops, a formação de grupos de admiradores do Jongo que, embora praticando apenas aqueles aspectos mais superficiais da dança, deslocando-a de seu âmbito social e seu contexto tradicional original, dão hoje a ela alguma projeção nacional.
Ainda no âmbito da cidade do Rio de Janeiro, é digno de nota também o 'Caxambu do Salgueiro', grupo de Jongo tradicional que, comandado por Mestre Geraldo, animou, pelo menos até o início da década de 1980, o Morro do Salgueiro, no bairro da Tijuca e era composto por figuras históricas daquela comunidade, entre as quais Tia Neném e Tia Zezé, famosas integrantes da ala das baianas da Escola de Samba G.R.E.S Acadêmicos do Salgueiro.

fonte: Wikipedia > jongo

Historia do samba (final) vertentes e bibliografia

Ultima parte do texto da Nancy, no qual cita algumas variações/vertentes (samba-rumba !!??) do samba e principalmente a bibliografia que utilizou nas pesquisas, para quem quiser se apronfundar um pouco mais, recomendo "O feitiço do samba". Tenho alguns deles e outros interessantes e se alguem precisar posso postar mais dados:


O samba e suas variações (33)

· Samba carnavalesco : designação genérica dada aos sambas criados e lançados exclusivamente para o carnaval. Os compositores tinham uma certa queda por este "gênero" (neste incluem-se as marchinhas) por visarem os gordos prêmios oferecido pela Prefeitura em seus concursos anuais de músicas carnavalescas.

· Samba de meio-de-ano : qualquer samba despretensioso aos festejos carnavalescos.

· Samba raiado: uma das primeiras designações recebidas pelo samba. Segundo João da Baiana 1, o samba raiado era o mesmo que chula raiada ou samba de partido-alto. Para o sambista Caninha, este foi o primeiro nome teria ouvido em casa de tia Dadá.

· Samba de partido-alto: um dos primeiros estilos de samba de que se tem notícia. Surgiu no início do século XX, mesclando formas antigas (o partido-alto baiano) a outras mais modernas (como o samba-dança-batuques). Era dançado e cantado. Caracterizava-se pela improvisação dos versos em relação a um tema e pela riqueza rítmica e melódica. Cultivado apenas pelos sambistas de "alto gabarito" (daí a expressão partido-alto), foi retomado na década de 40 pelos moradores dos morros cariocas, já não mais ligado às danças de roda.

· Samba-batido: variante coreográfica do samba existente na Bahia.

· Samba de morro: tradicionalmente conhecido como o samba autenticamente popular surgido no bairro do Estácio e que teve na Mangueira, um dos seus redutos mais importantes a partir da década de 30.

· Samba de terreiro: composição de meio de ano não incluída nos desfiles carnavalescos. É cantado fora do período dos ensaios de samba-enredo, servindo para animar as festas de quadra, durante as reuniões dos sambistas, festas de aniversário ou confraternizações.

· Samba-canção: estilo nascido na década de 30, tendo por característica um ritmo lento, cadenciado, influenciado mais tarde pela música estrangeira. Foi lançado por Aracy Cortes em 1928 com a gravação Ai, Ioiô de Henrique Vogeler. Foi o gênero da classe média por excelência e a temática de suas letras era quase sempre romântica, quando não assumindo um tom queixoso. A partir de 1950, teve grande influência do bolero e de outros ritmos estrangeiros.
· Samba-enredo: estilo criado pelos compositores das escolas de samba cariocas em 1930, tendo como fonte inspiradora um fato histórico, literário ou biográfico, amarrados por uma narrativa. É o tema do samba-enredo que dá o tom do desfile em suas cores, alegorias, adereços e evoluções, pois este é o assunto que será desenvolvido pela escola durante a sua evolução na avenida.
· Samba-choro: variante do samba surgida em 1930 que utiliza o fraseado instrumental do choro. Entre as primeiras composições no estilo, figuram Amor em excesso (Gadé e Walfrido Silva/1932) e Amor de parceria (Noel Rosa/1935).

· Samba de breque: variante do samba-choro, caracterizado por um ritmo acentuadamente sincopado com paradas bruscas chamadas breques (do inglês "break"), designação popular para os freios de automóveis. Essa paradas servem para o cantor encaixar as frases apenas faladas, conferindo graça e malandragem na narrativa. Luiz Barbosa foi o primeiro a trabalhar este tipo de samba que conheceu em Moreira da Silva o seu expoente máximo.

· Samba-exaltação: samba de melodia longa e letra abordando um tema patriótico. Desenvolveu-se a partir de 1930, durante o governo de Getúlio Vargas. Foi cultivado por profissionais do teatro musicado, do rádio e do disco depois do sucesso de Aquarela do Brasil (1939) de Ary Barroso. A ênfase musical recai sobre o arranjo orquestral que deve conter elementos grandiloqüentes, conferindo força e vigor ao nacionalismo que se quer demonstrar.

· Samba de gafieira: modalidade que se caracteriza por um ritmo sincopado, geralmente apenas tocado e tendo nos metais (trombones, saxofones e trompetes) a força de apoio para o arranjo instrumental da orquestra. Criado na década de 40, o estilo, influenciado pelas "big-bands" americanas, serve sobretudo para se dançar.

· Sambalada: estilo de ritmo lento, surgido nas décadas de 40 e 50, similar ao das músicas estrangeiras lançadas na época (como o bolero e a balada, por exemplo) tido como um produto da manipulação das grandes gravadoras que tinham apenas finalidade comercial.

· Sambalanço: modalidade que se caracteriza pelo deslocamento da acentuação rítmica, inventado na metade da década de 50, por músicos influenciados por orquestras de bailes e boates do Rio e de São Paulo que tinham como base os gêneros musicais norte-americanos, principalmente o jazz. Pode ainda ser definido como o estilo intermediário entre o samba tradicional e a bossa-nova, do qual Jorge Ben (Jor) foi o grande expoente.

· Sambolero: tipo de samba-canção comercial fortemente influenciado pelo bolero, que teve o seu apogeu também na década de 50. Imposto pelas grandes companhias de disco.

· Samba-jazz: gênero comandado por Carlos Lyra e Nelson Luiz Barros e mais tarde cultivado por outros compositores ligados à Bossa-Nova que buscavam soluções estéticas mais populares como resposta ao caráter demasiadamente intimista de João Gilberto. Abriu espaço para o nascimento da MPB, através dos festivais de música promovidos pela TV Record de São Paulo, durante os anos 60.

· Sambão: considerado extremamente popular e comercial, o gênero conheceu seu momento de glória a partir dos anos 70, quando se pregava a volta do autêntico samba tradicional. Nada mais é do que uma apropriação muitas vezes indevida e descaracterizada do conhecido samba do morro.

· Samba de moderno partido: modalidade contemporânea do gênero liderada pelo compositor Martinho da Vila, que mantém a vivacidade da percussão tradicional do samba aliada a uma veia irônica na temática de suas letras.

· Samba de embolada: modalidade de samba entoado de improviso. Segundo Câmara Cascudo, citado no Dicionário Musical Brasileiro de Mário de Andrade, os melhores sambas de embolada estão em tonalidades menores.

· Samba-rumba: tipo de samba influenciado pela rumba, ritmo caribenho em voga no Brasil na década de 50.

· Samba-reggae : misturado aos ritmos da Bahia, com forte influência da divisão rítmica do reggae.


Bibliografia
1. ALVES, Henrique. Sua Ex.a o samba. São Paulo. Símbolo, 1976, p. 17.
2. DEBRET, Jean Baptiste. Desenhista e pintor francês (Paris 1768 - 1848) cuja obra é de grande importância para o estudo da história brasileira no início do século XIX.
3. SOARES, Maria Teresa Mello. São Ismael do Estácio - O sambista que foi rei. RJ, Funarte, 1985, p. 88.
4. ANDRADE, Mário de. Dicionário Musical Brasileiro. São Paulo, Edusp, 1989, p.454.
5. SAMPAIO, Teodoro. Tupi na Geografia Nacional, citado por Henrique Alves em Sua Ex.a o samba. São Paulo. Símbolo, 1976, p. 18.
6. ALVES, Henrique. Sua Ex.a o samba. São Paulo. Símbolo, 1976, p. 18.
7. Idem 4.
8. TINHORÃO, José Ramos. História da Música Popular Brasileira - Samba. São Paulo, Abril Cultural, 1982. p. 3.
9. Idem, p. 4
10. Idem, p. 5
11. SOARES, Maria Theresa Mello. São Ismael do Estácio - O sambista que foi rei. Rio de Janeiro, Funarte, 1985, p. 94.
12. TINHORÃO, José Ramos. Pequena história da música popular - da modinha ao tropicalismo. São Paulo, Art, 1986, p.p. 47 e 51.

fonte:
http://www.clerioborges.com.br/historiadosamba.html
redação e pesquisa: Nancy Alves

Historia do samba (5) Estacio / carnaval / ranchos / cordoes / comportamento

Os textos explanam as mudanças do carnaval e do samba nos anos 30, explicando alguns simbolos comportamentais do genero como a malandragem, criatividade, participação comunitaria, etc., segue :

Apenas música para se brincar no carnaval
Assim como a marcha, o "samba anônimo" - batucado e gingado coletivamente - surgiu com o desenvolvimento do carnaval, para atender às camadas subalternas que ainda não possuíam um tipo de música própria que as representasse durante os desfiles e comemorações do Rei Momo. Aos poucos, foi atraindo músicos da classe média que tinham acesso à "mídia" da época - o rádio, também em sua fase inicial - e acabou perpetuando-se no tempo graças aos foliões de rua.

A origem das escolas de samba

"O estilo (antigo) não dava para andar. Eu comecei a notar que havia uma coisa. O samba era assim: tan tantan tan tantan. Não dava. Como é que um bloco ia andar na rua assim? Aí a gente começou a fazer um samba assim: bumbum paticumbumpruburundum." 27
A primeira escola de samba nasceu no Estácio - portanto no asfalto e não no morro - fez a sua primeira aparição oficial no desfile da Praça Onze em 1929, chamava-se Deixa falar e surgiu como um "ato de malandragem". 28
Até essa data o que se via nas ruas durante o carnaval era o desfile das Grandes Sociedades, dos ranchos carnavalescos (também conhecidos como blocos de cordas, pois possuíam um cordão de isolamento e proteção) e dos blocos propriamente ditos (mais modestos em sua administração). A diferenciação entre esses dois últimos é pequena. De acordo com a autora Eneida Moraes 28, citando Renato de Almeida, "os ranchos eram cordões civilizados e os blocos, mistos de cordões e ranchos".
A tradição da brincadeira de rua já existia há muito tempo no Distrito Federal (desde o entrudo e mais tarde, o Zé Pereira), mas sem nenhum tipo de organização musical. Foram justamente os blocos, ranchos e cordões que deram unidade musical a um desfile até então caótico.
"As escolas de samba surgiram no Rio de Janeiro por volta de 1920. A crônica do carnaval descreve o cenário então existente na cidade de forma nitidamente estratificada: a cada camada social, um grupo carnavalesco, uma forma particular de brincar o carnaval. As Grandes Sociedades, nascidas na segunda metade do século XIX, desfilavam com enredos de crítica social e política apresentados ao som de óperas, com luxuosas fantasias e carros alegóricos e eram organizadas pelas camadas sociais mais ricas. Os ranchos, surgidos em fins do século XIX, desfilavam também com um enredo, fantasias e carros alegóricos ao som de sua marcha característica e eram organizados pela pequena burguesia urbana. Os blocos, de forma menos estruturada, abrigavam grupos cujas bases se situavam nas áreas de moradia das camadas mais pobres da população: os morros e subúrbios cariocas. O surgimento das escolas de samba veio desorganizar essas distinções." 29
De todas as agremiações populares, o Rancho era o mais aceito pelas autoridades, pela sua forma de organização. Nascido no bairro suburbano da Saúde, tradicional região de imigrantes nordestinos, o Rancho carnavalesco, derivado do Rancho de Reis, existente em sua forma pagã desde 1873, foi a grande fonte inspiradora para as primeiras escolas de samba. Lembrando ainda as procissões religiosas, a sua música, voltada para as tradições folclóricas, principalmente o maracatu, trazia um andamento dolente, arrastado, nada adaptado para a euforia dos primeiros sambistas que também despontavam nesses mesmos espaços culturais:
"Essa lentidão, que permitia um desfilar sem vibração, quase monótono, causava irritação aos carnavalescos da nova geração, que se mostravam desejosos de dançar com um ritmo mais alegre e de acordo com a folia do carnaval. Esse foi o motivo que levou sambistas - como Ismael Silva e seus companheiros - compositores que viviam no Estácio e periferia, a criar um novo ritmo que permitisse cantar, dançar e desfilar, ao mesmo tempo." 30
E por que no Estácio?
O Estácio, tradicional bairro de bambas, boêmios e tipos perigosos - o índice de vadiagem na região era grande devido ao excesso de mão de obra e a escassez da oferta de trabalho - situava-se geograficamente perto do morro de São Carlos e também da Praça Onze, local dos desfiles, o que facilitava a troca cultural.
"Esses bambas, como eram conhecidos na época os líderes dessa massa de desocupados ou trabalhadores precários, eram, pois, os mais visados no caso de qualquer ação policial. Assim, não é de estranhar que tenha partido de um grupo desses representantes típicos das camadas mais baixas da época - Ismael Silva, Rubens e Alcebíades Barcellos, Sílvio Fernandes, o Brancura, e Edgar Marcelino dos Santos - a idéia de criar uma agremiação carnavalesca capaz de gozar da mesma proteção policial conferida aos ranchos e às chamadas grandes Sociedades, no desfile pela Avenida, na terça-feira gorda." 31
De fato, foi um drible de craque, ou, como queiram, um verdadeiro golpe de bamba nas autoridades, realizável apenas por aqueles que cedo aprenderam a conviver com a repressão, tendo que buscar soluções viáveis para a sua existência cultural. Assim, a Deixa falar do Estácio entrou na avenida naquele ano de 1929 como um "bloco de corda", totalmente legitimada e protegida pela polícia, ao som de um ritmo saltitante e uma nova batida, capaz de provocar a euforia de qualquer folião: a batucada. Um ano mais tarde, cinco outras escolas apareceram para o desfile da Praça Onze: a Cada ano sai melhor (do Morro do São Carlos); a Estação primeira de Mangueira; a Vai como pode (mais tarde, Portela), a Para o ano sai melhor (também do Estácio) e a Vizinha faladeira (das imediações da Praça Onze).
Surgida na Largo do Estácio, a novidade repercutiu rapidamente para vários morros e subúrbios. Desta forma, as escolas foram se espalhando e a cada ano nasciam outras agremiações carnavalescas que faziam suas evoluções na Praça Onze, cantando sambas com temáticas que abordavam acontecimentos locais ou nacionais, tanto no domingo quanto na terça-feira gorda. Estava definitivamente consolidado o samba carioca.
"Criou um território, pequeno, mas só dele. Mandava num quadrilátero que ia da Saúde ao Estácio, e da Praça da Bandeira à Onze. Esta sempre servindo de sede para os acontecimentos mais importantes de sua vida. Na praça a aglomeração cresceu, sempre em torno dele. Era o pessoal descendo o morro para brincá-lo no carnaval, eram os ranchos, blocos e cordões se chegando para a festa. Samba fora da Praça Onze não tinha graça. Não podia ser. A praça-mãe devia ter calor maior. Enfim, feitiço de berço." 32

fonte:
Pesquisa e redação : Nancy Alves
http://www.clerioborges.com.br/historiadosamba.html

Historia do samba (4) nasce como genero / mercado / Pelo telefone

Nancy faz apanhando de varios pequisadores, contando o inicio do genero como produto mercadologico. Deste periodo vale a pena ler a biografia do Sinhô do Edigar de Alencar, que passo detalhes em outra postagem. Vamos ao texto:


O polêmico "Pelo telefone"

Um dos primeiros comentários que se pode adiantar sobre a música Pelo telefone diz respeito à questão dos direitos autorais da composição, ainda hoje objeto de discussão não totalmente esclarecido. Maria Theresa Mello Soares 20, revela-nos o seguinte:
"Historicamente o primeiro caso - que foi muito comentado no Rio de Janeiro - de posse indébita de composição musical teve como protagonista Ernesto dos Santos, ou melhor, o Donga, violonista que tocava de ouvido, 'nem sabia traçar as notas de música'. Pelo telefone - tango, maxixe ou samba, nunca ficou bem definida a sua classificação - foi a composição que gerou polêmica ruidosa no meio artístico carioca, provocando atritos e discussões, principalmente pela imprensa que tomou partido de um jornalista envolvido no 'affaire'".
Problemas à parte, 1917 é de fato considerado um ano-chave para a história da música brasileira de raízes populares e urbanas, justamente devido ao lançamento de Pelo telefone, considerado o primeiro samba oficialmente registrado no Brasil. A partir de então, o samba - que já se prenunciava anteriormente através de formas variantes como o lundu, o maxixe, a polca e a habanera - individualizou-se, adquiriu vida própria, tornando-se definitivamente um gênero musical:
"Um fato até então inédito acontece: os clubes carnavalescos, que nunca tocavam a mesma música em seus desfiles, entraram na Av. Central tocando Pelo telefone". 21
Outra grande dúvida mencionada por pesquisadores recai sobre a data da composição. Embora tenha sido lançada no carnaval de 1917 com êxito extraordinário, o registro da partitura para piano, feito por Donga na biblioteca nacional, é de 16 de dezembro de 1916.
A questão sobre a autoria, levantada anteriormente, é também outro aspecto importante nessa discussão. Sabe-se que muitas reuniões de samba de partido alto ocorriam no terreiro de tia Ciata, freqüentado por sambistas, músicos, curiosos e jornalistas, tais como: Donga, Sinhô, Pixinguinha, João da Mata, Mestre Germano, Hilário Jovino e Mauro de Almeida. Este último - Mauro de Almeida - teria escrito os versos para a música de criação coletiva intitulada Roceiro, executada pela primeira vez como tango em um teatro da rua Haddock Lobo, em 25 de outubro de 1916. Valendo-se da repercussão imediata da música, Donga não hesitou em registrá-la com o título de Pelo telefone, aparecendo então como o único autor, omitindo a letra do jornalista Mauro de Almeida. Houve reações e protestos, principalmente daqueles que se sentiram diretamente atingidos. Assim comenta Edigar de Alencar 22:
"O registro do samba (nº 3295) não teve a repercussão que teria hoje. Música de muitos não era de ninguém. Não tinha dono, como mulher de bêbado..."
Renato Vivacqua é quem afirma:
"Mesmo assim, o Jornal do Brasil de 04.02.1917 trazia o seguinte comentário:
'Do Grêmio Fala Gente recebemos a seguinte nota: Será cantado domingo, na av. Rio Branco, o verdadeiro tango Pelo telefone, dos inspirados carnavalescos, o imortal João da Mata, o mestre Germano, a nossa velha amiguinha Ciata e o inesquecível bom Hilário; arranjo exclusivamente pelo bom e querido pianista J. Silva (Sinhô), dedicado ao bom e amigo Mauro, repórter da Rua, em 6 de agosto de 1916, dando ele o nome de Roceiro'.

Pelo telefone
A minha boa gente
Mandou me avisar
Que o meu bom arranjo
Era oferecido
Para se cantar.
Ai, ai, ai
Leva a mão na consciência, meu bem.
Ai, ai, ai
Mas pra que tanta presença, meu bem?
Ó que cara dura
De dizer nas rodas
Que este arranjo é teu!
É do bom Hilário
É da velha Ciata
Que o Sinhô escreveu
Tomara que tu apanhes
Pra não tornar a fazer isso,
Escrever o que é dos outros
Sem olhar o compromisso" (23)

Tudo indica que a composição seja mesmo de caráter coletivo, cantarolada com versos variados em alguns pontos da cidade, tendo sido mais tarde reformulados por Donga e Mauro de Almeida.
Teria sido "Pelo telefone" o primeiro samba realmente registrado no Brasil?
Há contestações e controvérsias. Hoje não mais se acredita que este tenha sido o primeiro registro do gênero samba no selo de um disco. Alguns pesquisadores, entre eles Renato Vivacqua 24, mencionam pelo menos três outras composições designando o gênero:
- Um samba na Penha (interpretado por Pepa Delgado e lançado pela Casa Edison em 1909);
- Em casa da Baiana (de 1911);
- e por último A viola está magoada (de autoria de Catulo da Paixão Cearense, composto em 1912 e gravado em 1914).
Edigar de Alencar também menciona um outro samba denominado Samba roxo (de Eduardo da Neves, de 1915).
Afinal, qual a verdadeira letra de "Pelo telefone"?
Uma outra polêmica até hoje não totalmente desvendada diz respeito à letra original do samba - que teria recebido inúmeras alterações e paródias ao longo do tempo, gerando confusões.
Donga chegou a afirmar que a verdadeira letra da 1ª estrofe seria iniciada pelo verso O chefe da folia, mas por diversas vezes caiu em contradição, dizendo que o 1º verso da música era de fato O chefe da polícia.
Sobre essa estrofe, comenta Edigar de Alencar 25:
"Os versos expressivos e bem feitos eram uma glosa sutil a um fato importante. O então chefe da polícia Aurelino Leal determinara em fins de outubro daquele ano (1916), em ofício publicado amplamente na imprensa, que os delegados distritais lavrassem auto de apreensão de todos os objetos de jogatina encontrados nos clubes. Antes de qualquer providência, porém, ordenara que lhe fosse dado aviso pelo telefone oficial."
Portanto, duas hipóteses são aceitas para esta primeira estrofe:
- 1
O chefe da folia
Pelo telefone
Manda me avisar
Que com alegria
Não se questione
Para se brincar
Para se brincar

- 2
O chefe da polícia
Pelo telefone
Manda me avisar
Que na Carioca
Tem uma roleta
Para se jogar

A Donga se deve pelo menos o fato de ter percebido que o samba, ainda em seu nascedouro, surgiria a partir daquela data não mais como uma dança ou festa coletiva, mas como um bem cultural digno de ser comercializado e divulgado no rádio, então único meio de comunicação de massa, ávido para ter o que tocar. Os últimos comentários a esse respeito são de Almirante, citado no livro de Edigar de Alencar 26:
"Em resumo, o Pelo telefone teve um autor indiscutível: Mauro de Almeida, criador de seus versos e cujo nome permaneceu sempre sonegado. Jamais recebeu quaisquer direitos autorais, como seria justíssimo. Mauro de Almeida, com 74 anos de idade, morreu a 19 de junho de 1956.
E quais foram os parceiros da melodia do Pelo telefone? Segundo a imprensa, conforme citamos: João da Mata, mestre Germano, tia Ciata, Hilário Jovino, Sinhô e Donga. Mas todos eles..."
Cabe assinalar ainda que a música recebeu uma versão teatral de Henrique Júnior com o mesmo título, que teve sua estréia em 7 de agosto de 1917 no Teatro Carlos Gomes, ficando menos de uma semana em cartaz.
fonte:
http://www.clerioborges.com.br/historiadosamba.html
Pesquisa e redaçao: Nancy Alves

Historia do Samba (3) - origem estilos/danças

Otimo apanhado da Nancy, descrevendo os estilos e danças que influenciaram o samba. Coloca em algumas citações, Mario de Andrade e Jose Ramos Tinhorão, que são na minha opinião, autores que interpretaram com muita propriedade as origens do samba. O dialogo inicial Donga/Ismael é um registro do MIS/RJ.
A descrição das danças é interessante, aguçando ainda mais a curiosidade sobre o genero e as danças de salão, bem na moda atualmente. A distinção é muito dificil no iniicio do seculo, estes dias atras ouvi algumas gravações originais do Sinhô (rei do samba, anos 10/20), disco compilado pela Revivendo de Curitiba - eu não consigo identificar o que é samba (se é samba), maxixe, polca, etc . Mas isto é outra postagem. Vamos ao texto:


Samba: o que foi, o que é...
"Pergunta: Qual é o verdadeiro samba?

Donga: Ué, samba é isso há muito tempo:

O chefe da polícia
Pelo telefone
Mandou me avisar
Que na CariocaTem uma roleta para se jogar...

Ismael: Isso é maxixe!
Donga: Então o que é samba?
Ismael:
Se você jurar
Que me tem amor
Eu posso me regenerar
Mas se éPara fingir, mulher
A orgia, assim não vou deixar

Donga: Isso é marcha!" 11

O samba não nasceu por acaso. A sua aparição se deve à acomodação de diversos gêneros musicais que se sucederam ou se "complementaram" ao longo do tempo. O exemplo da discussão acima ilustra claramente o tipo de confusão gerada pelos novos ritmos populares (a maioria binários) que emergiram nas primeiras décadas do século XX.
Para se conhecer um pouco de sua trajetória é necessário que se faça uma viagem por esses estilos que acabaram dando no que deu, ou seja, no próprio samba.

Lundu
Originária de Angola e do Congo, o lundu é um tipo de dança africana - na época considerada até obscena - , que tinha como passo coreográfico a própria umbigada. Apareceu no Brasil por volta de 1780. Alguns autores o comparam com o batuque praticado nas senzalas. No final do século XVIII, surgiu como canção, tanto no Brasil, quanto em Portugal.
José Ramos Tinhorão 12, citando o maestro Batista Siqueira, distingue as duas manifestações (coreográfica e musical), afirmando que até hoje não foi possível "saber se, de fato, a dança lundu inspirou o tipo de cantiga do mesmo nome, e de como se deu essa passagem daquilo que era ritmo e coreografia - para o que viria a ser canção solista."
Acolhido por todas as camadas sociais, inclusive os aristocratas, o lundu acabou ganhando a simpatia dos centros urbanos a partir de 1820, invadindo os teatros do Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, onde seus números eram apresentados no entremez, espécie de quadro cômico e musical realizado durante os entreatos de dramas e tragédias. Em 1844, porém, o país foi tomado de assalto por outro tipo de ritmo - também de compasso binário e dançado em pares - que na Europa estaria causando um tremendo furor: este ritmo nada mais era do que a polca.

Polca
De acordo com definição contida no Dicionário de Música Popular Brasileira: erudita, folclórica e popular 13, a polca é um tipo de dança rústica originária da região da Boêmia (parte do império austro-húngaro), tendo chegado à cidade de Praga em 1837, quando se transformou em dança de salão. De ritmo alegre e saltitante, espalhou-se rapidamente pela Europa, tornando-se a coqueluche dançante da época. No Brasil veio trazida por companhias teatrais francesas, fazendo sua estréia oficial em 3 de julho de 1845 no Teatro São Pedro. Tornou-se tão popular que uma agremiação foi fundada em seu nome: A Sociedade Constante Polca. Segundo José Ramos Tinhorão 14, o gênero obteve o sucesso que o lundu, sozinho, jamais havia conseguido realizar:
"... a semelhança de ritmo com o lundu permite uma fusão que poderia às vezes ser nominal, mas que garante ao gênero de dança saído do batuque a possibilidade de ser, afinal, admitido livremente nos salões sob o nome mágico de polca-lundu."

Chula
A chula é um gênero de dança ou de canção de origem portuguesa surgida no final do século XVII. Também herdeira da umbigada - com seus requebros, volteios e sapateados - adquire entre nós uma forma maliciosa e erótica. O termo reapareceu entre os sambistas no início do século. Assim o define João da Baiana 15:
"Antes de falá samba, a gente falava chula. Chula era qualquer verso cantado. Por exemplo. Os versos que os palhaço cantava era chula de palhaço. Os que saía vestido de palhaço nos cordão-de-velho tinha chula de palhaço de guizo. Agora, tinha a chula raiada, que era o samba do partido alto. Podia chamá chula raiada ou samba raiado. Era a mesma coisa. Tudo era samba de partido-alto. E tinha samba corrido".

Maxixe
Primeira dança considerada autenticamente brasileira, tendo como ancestrais diretos a umbigada, o batuque e o lundu, o maxixe tem sua origem nos bairros de contingentes negros e mestiços do Rio de Janeiro, como Saúde e Cidade Nova.
Sua aparição, por volta de 1870, deveu-se principalmente à vontade de se dançar, de forma mais livre, os ritmos em voga na época, principalmente a polca. O maxixe, na opinião de José Ramos Tinhorão 16, foi sobretudo obra do "esforço dos músicos de choro em adaptar o ritmo das musicas à tendência dos volteios e requebros de corpo com que mestiços, negros e brancos do povo teimavam em complicar os passos das danças de salão".

Para Mário de Andrade 17, no entanto, o maxixe seria a síntese do tango e da habanera (pelo lado rítmico) com o andamento da polca, aliado a síncopa portuguesa. E ainda, na interpretação de Tinhorão 18, a "transformação da polca via lundu".
Aliás, como o lundu, apresentado nos intervalos de peças teatrais 50 anos antes, o malicioso maxixe, com o passar do tempo e com a popularidade alcançada pelos chorões, ganhou os palcos do Rio de Janeiro, sendo saboreado pelos freqüentadores das revistas teatrais:
"Não é de se estranhar que num palco e com o incentivo da platéia, o lundu tivesse o seu aspecto erótico exacerbado. Mais curioso é que esse mesmo processo de teatralização de uma dança de origem negra se repetiu meio século depois no Rio de Janeiro, com o maxixe." 19

fonte:
Redação e pesquisa - Nancy Alves
http://www.clerioborges.com.br/historiadosamba.html

História:do samba (2) origem / urbano / mulheres / Rio/Bahia

Esta a segunda parte da Historia do samba, inicio do seculo 20, com redação e pesquisa da Nancy Alves. Cita alguns pesquisadores importantes como Jose Ramos Tinhorão, divulga as distintas e polêmicas origens:

Geografia do samba: no tabuleiro da baiana samba também tem
Rio de Janeiro, então capital federal: a transferência da mão-de-obra escrava da Bahia (onde se cultivava a cana, o algodão e o fumo) para o Vale do Paraíba (onde se plantava o café), a abolição da escravatura e o posterior declínio do café acabaram liberando grande leva de trabalhadores braçais em direção à Corte; além disso, a volta dos soldados em campanha na Guerra de Canudos também elevou o número de trabalhadores na capital federal.
Muitos desses soldados trouxeram consigo as mulheres baianas, com as quais haviam se casado. Essa comunidade baiana - formada por negros e mestiços em sua maioria - fixou residência em bairros próximos à zona portuária (Saúde, Cidade Nova, Morro da Providência), onde havia justamente a demanda do trabalho braçal e por conseqüência, a possibilidade de emprego. Não demorou muito para que no quintal dessas casas as festas, as danças e as tradições musicais fossem retomadas, incentivadas sobretudo pelas mulheres.
De acordo com José Ramos Tinhorão 8, "mais importante do que os homens, foram essas mulheres" - quituteiras em sua maioria e versadas no ritual do candomblé - as grandes responsáveis pela manutenção dos festejos africanos cultivados naquela redondeza, onde predominavam lundus, chulas, improvisos e estribilhos.
Entre essas doceiras estavam tia Amélia (mãe de Donga), tia Prisciliana (mãe de João de Baiana), tia Veridiana (mãe de Chico da Baiana), tia Mônica (mãe de Pendengo e Carmen do Xibuca) e a mais famosa de todas, tia Ciata, pois justamente de sua casa, à rua Visconde de Itaúna 117 (Cidade Nova), é que "viria a ganhar forma o samba destinado a tornar-se, quase simultaneamente um gênero de música popular do morro e da cidade" 9.
Se por um lado o samba como dança e festa coletiva explodia nos quintais, tomava as ruas e se exibia nos desfiles de cordões, por outro, o samba como música e composição autoral dava os seus primeiros passos em casa de tia Ciata. O elemento comum eram os estribilhos, cantados e dançados tanto num lugar como no outro.
"Assim nasceu o samba carioca, após longa gestação, da África à Bahia, de onde veio para ser batucado nos terreiros da Saúde e finalmente, tomando nova forma rítmica a fim de adaptar-se ao compasso do desfile de um bloco carnavalesco." 9
De fato, nos quintais da casa de tia Ciata reuniam-se bons ritmistas, compositores e verdadeiros mestres da música popular, muitos deles profissionais como Sinhô, Pixinguinha, Donga, Caninha, João da Baiana, Heitor dos Prazeres, Hilário Jovino Ferreira e outros. Não foi à toa que de lá saiu o primeiro samba da música popular brasileira.
Assim se pronuncia José Ramos Tinhorão 10:
"Ao contrário do que se imagina, o samba nasceu no asfalto; foi galgando os morros à medida em que as classes pobres do Rio de Janeiro foram empurradas do Centro em direção às favelas, vítimas do processo de reurbanização provocado pela invasão da classe média em seus antigos redutos."
fonte: Redação e Pesquisa:Nancy Alves
http://www.clerioborges.com.br/historiadosamba.html

Historia do Samba (1) - texto e pesquisa Nancy Alves

Achei que ela fez um bom apanhando da história do samba , faltaram algumas citações como as falas do Donga e Ismael que estão registrados no MIS do RJ(cap 3) , citou as controversias de diversos temas da historia. Tomei a liberdade de dividir em capitulos para uma leitura mais leve e breve. Texto e pesquisa de bom tom na minha opinião. Segue o texto:

SAMBA: DO BATUQUE À BATUCADA
Identidade
Da mesma forma que o jazz nos Estados Unidos e a salsa (derivada do mambo e da rumba) em muitos dos países caribenhos, o samba é indiscutivelmente o gênero musical que confere identidade ao Brasil. Nascido da influência de ritmos africanos para cá transplantados, sincretizados e adaptados, foi sofrendo inúmeras modificações por contingências das mais diversas - econômicas, sociais, culturais e musicais - até chegar no ritmo que conhecemos. E a história é mais ou menos a mesma para os similares caribenho e americano.
Simbolizando primeiramente a dança para anos mais tarde se transformar em composição musical, o samba - antes denominado "semba" - foi também chamado de umbigada, batuque, dança de roda, lundu, chula, maxixe, batucada e partido alto, entre outros, muitos deles convivendo simultaneamente!
Do ritual coletivo de herança africana, aparecido principalmente na Bahia, ao gênero musical urbano, surgido no Rio de Janeiro no início do século XX, muitos foram os caminhos percorridos pelo samba, que esteve em gestação durante pelo menos meio século.

Samba : palavra de bamba
É quase consenso entre especialistas que a origem provável da palavra samba esteja no desdobramento ou na evolução do vocábulo "semba", que significa umbigo em quimbundo (língua de Angola). A maioria desses autores registra primeiramente a dança, forma que teria antecedido a música. De fato, o termo "semba" - também conhecido por umbigada ou batuque - designava um tipo de dança de roda praticada em Luanda (Angola) e em várias regiões do Brasil, principalmente na Bahia. Do centro de um círculo e ao som de palmas, coro e objetos de percussão, o dançarino solista, em requebros e volteios, dava uma umbigada num outro companheiro a fim de convidá-lo a dançar, sendo substituído então por esse participante. A própria palavra samba já era empregada no final do século XIX dando nome ao ritual dos negros escravos e ex-escravos. Assim se pronuncia Henrique Alves 1: "Nos primeiros tempos da escravidão, a dança profana dos negros escravos era o símile perfeito do primitivo batuque africano, descrito pelos viajantes e etnógrafos. De uma antiga descrição de Debret 2, vemos que no Rio de Janeiro os negros dançavam em círculo, fazendo pantomimas e batendo o ritmo no que encontravam: palmas das mãos, dois pequenos pedaços de ferro, fragmentos de louça, etc.. "Batuque" ou "Samba" tornaram-se dois termos generalizados para designarem a dança profana dos negros no Brasil." Há no entanto vozes discordantes, que dão margem a outras versões etimológicas: A autora de São Ismael do Estácio 3 menciona a possibilidade de o vocábulo ter-se derivado da palavra "muçumba", uma espécie de chocalho.
Também Mário de Andrade 4 assinala outras origens possíveis para o termo e para a dança. Segundo ele, bem poderia vir de "zamba", tipo de dança encontrada na Espanha do século XVI, além de mencionar o fato de que "zambo" (ou "zamba") significa o mestiço de índio e negro. A tese defendida por Teodoro Sampaio 5 de que a gênese pudessem advir de termos como "çama" ou "çamba" significando corda (ou a dança da corda) e de que este pudesse ser um ritmo gêmeo do brasileiro samba é totalmente refutada por Henrique Alves 6, "dada a falta de consistência de influências indígenas no teor da música e da dança, cuja característica é eminentemente africana".Ainda de acordo com Mário de Andrade 7, a palavra "samba" viveu um verdadeiro período de "ostracismo" no início do século, conhecendo variantes coreográficas cultivadas por "brancos rurais" (o coco), para depois ser ressuscitada com vigor pelos fãs do maxixe.

fonte: http://www.clerioborges.com.br/historiadosamba.html

sábado, 20 de setembro de 2008

Seu Jorge em Curitiba

Ontem, sexta, 19 aqui em Ctba fui ao show do musico Seu Jorge e sua banda. Fazia tempo que aos quase cinquenta não me sentia nos quase cinquenta (acho que nunca tinha me sentido na verdade). Umas mil e tantas pessoas e um tantinho da minha faixa etaria. Meia-noite, ingressso ganho, fila para entrar, gente, muita gente, calor, calor (só la dentro - fora uns 7 graus) imaginei uma cerveja, logico . Ilogico!Impossivel! fila de 100 pessoas. Fui arranjar um cantinho para ver e ouvir o show (ver ... ver quase nada). Fiquei ao lado da mesa do som, consegui um pedacinho da grade e me senti vitorioso. Naquele espaço (ilha) do som rolava uma reunião regado a cerveja, alias não vi o tecnico de som do Seu Jorge sem uma cerveja ou um baseado na mão, até perdi meu "camarote" para um moleque que se atravessou para pedir umas baforadas e não saiu até o final do show.
Bom é uma espaço voltado à musica -consegui ouvir a letra de duas ou tres delas e alguns trechos de outras, em outros tempos reclamaria com o tecnico, mas quando olhava para ele ... deixa pra lá. Um monte de musicos e uma infinidade de instrumentos, pouquissimo melodico, podia ser mais bem aproveitado, mas o cara estas nas midias e é a musica da ora mano. Engraçado que a musica que mais envolveu a galera foi voz e violão (rsrsrsr)... fiquei dando risada sozinho e também descobri como funcionam as baladas... da ora mano... muita mulher bonita, impressioanante.
E a grande maioria pagou entre $70 e 140 mi réis - na opinião deste desatualizado e recente blogueiro, tirando as sempre importantes letras de apelo social (3 ou 4) o resto do show é descartavel - bom para o musico, produtores e os baladeiros. E não consegui um genero - apesar dos instrumentos de percussão, cuica - samba não é! Sei lá. Som moderno - pop, deve ser isto (veja preço dos ingressos abaixo) Mas deve ser musica, o que fui ver. Mas ainda estou pensando.

Ops: Demorou umas duas horas e tantas pra sair o zunido dos ouvidos - mesmo tempo do show -haja potencia e coitados dos ouvidos da galera. Foi a primeira vez que fique a seco! Não gastei um tostão. Não deram chance. Bom pra mim. Heheh!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Cimples - um pouquinho da origem

A ideia surgiu num bate papo rotineiro regado à cerveja num boteco entre meu amigo Toby (ex-jogador de futebol profissional - campeão brasileiro em 1985, pelo Coxa) e este candidato a escriba de blog claudicante. O Cimples iniciou suas atividades em 1998, no balneario Guarapari, Pontal do Parana - litoral paranaense com o nome Cimples - Casa do samba/samba de casa. Encerrada as atividades no litoral do Paraná em março de 2004. Esta localizado hoje no bairro Tingui, à rua Miguel Jorge Nasser, 206 - esquina rua Joao Batista Trentin, 417, Curitiba, desde fevereiro de 2005, denominado Cimples Ócio - musica e festas do Brasil.

Cimples Ocio - Curitiba


Cimples Ocio - esta retornando devagarinho às atividades . Espaço teimoso para uma cidade como Curitiba de clima instavel, semiaberto, rústico sem modismos (bancos e mesas em madeira com 80/100 kg. sem acabamento), bagunçado, muita pedra de rio, madeira bruta e de demolição. Mas também um ambiente voltado à divulgação do bom samba, choro e culinaria - tres icones comportamentais emblematicos do nosso Brasil.

Neste espaço estaremos repassando alguns bons textos sobre samba, choro e culinária brasileira, principalmente textos que tenham estes componentes interagindo.