terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Cimples Ocio - Roda de bamba


Aproveito para postar texto do livro 500 anos da Musica Popular Brasileira que neste periodo de festas de fim de ano encaixam perfeitamente:

"Roda de bamba"
“Existe, no Brasil, um tipo de música da qual todos admitem gostar em determinadas, épocas do ano. Noutras, entretanto, não gostam, ou fingem que não. As razões, muito mais que estéticas, são sociais.

Falamos da musica produzida pelas camadas menos favorecidas da população do Rio de Janeiro. Gente como Carlos Cachaça, Ismael Silva, Cartola, Silas de Oliveira, Nelson Sargento, Ivone Lara, Monarco. Produtores de gêneros musicais consumidos com muito agrado por todos, desde que seja durante o carnaval, “a festa deles". No resto do ano, por ser identificada com favela, gente pobre, feia e negra, distante dos padrões ”glamourosos" perseguidos com ansiedade pelas classes média e alta nativas, essa música sofre uma profunda discriminação. Preferem outra, mais voltada para os padrões globalizados, de onde foi erradicada a marca de origem. De preferência, se a letra for em inglês.

Mas essa música é muito forte. Tão forte, que atravessa as barreiras da discriminação e está sempre presente, guerrilheira. Nesses especiais anos de virada do século XX para o XXI, então, podemos dizer que a música mestiça do Brasil atingiu um de seus momentos de maior exuberância nacional e, mesmo, internacional.

Por volta de 1930, o encontro do samba de morro com a música produzida na cidade (encontro do tipo Cartola com Noel Rosa) foi marca de enriquecimento para ambos os lados. A música de Noel, classificada como samba urbano, ganhou a necessária pitada de pimenta da Mangueira e renasceu mais brejeiro, conservando, contudo, o bom comportamento poético que o tornava palatável a todos os gostos. E o samba do morro ganhou gravata e sapato. Nessa tradição, chegamos a um Paulinho da Viola, a um Chico Buarque, campeões do “bom-mocismo". Pelos furos da peneira, acabavam passando, também, as Cordas de aço, de Cartola, a Primavera, de Sargento, Meu drama e Sonho meu, dos imperianos Silas e Ivone.

Impressionante que, por mais que se tente entender a lógica do gosto popular, isso jamais se torna possível. Senão vejamos: se Paulinho da Viola, como já se disse, foi aceito por mesclar a tradição africana ao apurado conhecimento melódico e harmônico (Paulinho é músico, fino instrumentista e lutier) e também á irrepreensível poesia, que razões levaram esse mesmo público a reverenciar o lirismo surpreende e guerrilheiro de Candeia, a ideologia de Martinho da Vila, a negritude pura de Nei Lopes e Wilson Moreira, a grandiloqüência barroca de Monarco, a orgulhosa malandragem de Zeca Pagodinho, a carioquice suburbuna de Dudu Nobre? Isso sem falar de Délcio Carvalho, Luis Carlos da Vila, Arlindo e Sombrinha, meu Deus Jorge Aragão!

Os pagodeiros de São Paulo, os sertanejos do centro-oeste, os mineiros dos clubes de todas as esquinas, os velhos e os novíssimos baianos, mestres do charme e da malemolência, os rastafaris maranhanses, loucos pela Jamaica, as tribos amazonenses garantindo os seus bois, os nordestinos em geral, o povo do sul, enfim, toda essa gente mais ou menos bronzeada ainda mostrando o seu valor há muito tempo abrindo o ouvido do Brasil e do mundo para o nosso som moreno. Mas esta terra é de samba, o samba é o nosso dom e são os ambistas que traduzem a síntese étnica da população desse país, discriminada e ativa, pobre e talentosa, “criloura”, como se diz na Mangueira. Os que estão aí há muito tempo, os que estão chegando e, mais ainda os que ainda vão surgir, sempre, continuando a compor essa roda que é bonita, porque tem a cara e a cor do Brasil.”

fonte: pag. 159, 160 e 161.
livro 500 anos, da muisca popular brasileira
Fundação Museu da Imagem e do som - RJ - 2001
acervo: Anildo Guedes


quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Cimples - Noel Rosa - aniversario em dezembro (10)




Trecho do comportamento de Noel e a formação do Bando de Tangaras, no livro Noel Rosa - uma biografia - de Joao Maximo e Carlos Didier.




quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Anildo Guedes 50 anos e Xango da Mangueira







Ontem (16/12/08 - desaniversario por coinncidência) numa roda de cerveja no bar edmundo me lembraram que faço cinquenta anos em março de 2009. Neste embalo lembrei-me de um aniversario que veio todo o povo agregado do Grupo Bom Partido. Foi uma festança. Era março de 2002 no meu aniversario tive o privilegio de receber Xango da Mangueira em casa - ele veio com sua Dona Sonia e o Flavio Aniceto. Deu-me de presente um disco o " MANGUEIRA- sambas de terreiro e outras sambas", que tem Cartola cantando e Jacob tocando violão, Xango, Tantinho, Jurandir, Nelson Cavquinho cantando e participação de muita gente boa de samba pouco conhecida e outras coisas lindas.Vou postar o conteudo aos poucos. Segue capa e contracapa.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Samba - origens do samba urbano no Rio


Segue um trecho do livro 500 anos da Musica Popular Brasileira. Para ler basta clicar no documento.
Fonte: Livro 500 anos da musica popular brasileira - Fundação Museu da Imagem e do Som - RJ
acervo Anildo Guedes

Samba para crianças - a arte de Yara Teixeira

Os textos citam Mauro de Almeida (Peru dos pés frios) e Tia Ciata
a cozinha das baianas no começo do seculo (anos 10)

Posto mais duas paginas do trabalho da Yara Teixeira. Os textos são da Simone (Coral Brasileirão) também daqui de Curitiba.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Guilherme de Brito em Curitiba e Floripa

Foto nos camarins do Canal da musica de Curitiba com Juliao Boemio (cavaco) e Daniel Miranda (sax alto e clarinete). Daniel também acompanhou Guilherme no show de Floripa junto com o Grupo Bom Partido, que teve a particpação da cantora Maria Helena, cantando dois sambas.
Esta é uma pequena pesquisa no Google, que refere-se à 2002, quando eu trouxe o Guilherme de Brito e fiz um texto para a agenda Samba-choro. Foram 03 dias magicos. Fiquei sabendo mais sobre samba neste periodo que 20 e poucos livros. Alem de ter tomado duas ou tres caipirinhas com ele em Floripa na maior intimidade. Aforante o que Dona Nena desabafou no almoço, na rota Curitiba-Floripa. Segredo prometidos de ficar calado para sempre.

Guilherme de Brito
Lista de discussão sobre samba e choro, estilos musicais brasileiros.
pl_PL: anildo guedes do rocio santos (anido_guedes_at_uol.com.br)Data: seg 08 jul 2002 - 21:20:51 EST
Próxima mensagem: anildo guedes do rocio santos: "Guilherme de Brito em Floripa"
Mensagem anterior: Fábio Liberal: "Re: Orora de Jards Macalé"
Maior e mais constante parceiro de Nelson Cavaquinho, o sambista Guilherme de Brito, apresenta neste show historico em Curitiba sambas ineditos do CD "Samba Guardado" de 2001 e musicas consagradas como Folhas Secas, a Flor e o Espinho. Guilherme esta com 80 anos, com vitalidade e chega na quinta, dia 12 p/manha com sua esposa e o violonista Cidinho 7 Cordas, para participar da primeira etapa (total de 6) do projeto "O Samba e Sua Nobreza", criação da empresa Cimples SambaEChoro, com parcerias com o Canal da Musica e Educativa 97,1 FM. Resumo: Show Guilherme de Brito Hora: 20:15 - dia 12/07 - sexta - Canal da Musica - Rua Julio Perneta, 695 - Merces - fone 331 7513 Abertura : Grupo Bom Partido - SC - (samba) 20:45 - Grupo Simplicidade - Ctba - PR - (choro) 21:20 - Guilherme de Brito - sendo acompanhado por musicos do Pr e SC. - Violão 7 cordas: Cidinho - RJ - Violão 6 cordas: Henrique Rodrigues - Ctba - Cavaquinho centro: Didi - Ctba - G. Simplicidade - Bandolim e cavaco solo:Juliao Boemio -Ctba - G. Simplic. e Ebubu-Fulô - Clarinete e sax: Daniel Miranda - Ctba - G. Simplicidade e Ebubu-Fulô - Pandeiro: Zezinho - Ctba - G. Simplicidae e Ebubu-Fulô - Pastoras (vozes)- Jandira, Josiane e Julia (G. Bom Partido) - Dinho - percussão - SC - Grupo Bom Partido - Amarildo - surdo - SC - Grupo Bom Partido 22:45 - Hall de entrada Canal da Musica - Homenagem dos musicos do PR e SC à Guilherme de Brito e dedicatorias no CD "Samba Guardado". Roda de Samba e Choro - Grupo Bom Partido (partido alto) e Grupo Ebubu-Fulô (novo choro). 23:30 - Encerramento Ingressos: R$ 10,00 Maiores de 60 anos, menores de 15 anos, estudantes e classe artistisca - R$ 5,00 Gratos, Cimples SambaEChoro Anildo Contatos: (41) 9962 1054 e 229 1447 *** _____________________________________________________________ Para

Seu Jair e Argemiro em Itajai

Este era um tempo que eu participava da tribuna Samba-choro - refere-se aos shows do Seu Jair e do Argemiro em Curitiba, Itajai e Floripa - aprendi muito sobre a vida, alias mudou minha concepção sobre a mesma - o contato com estes dois sambistas, as nossas conversas, a sacanagem entre os dois, a convivencia, as historias que ouvi - acho que aprendi muito - decidi alterar o rumo da vida - e foram só 4 dias - Seu Argemiro faleceu logo depois e Seu Jair um pouco mais de tempo - chorei, quietinho, sozinho, agradecendo a lição. .

(trecho copiado)
pl_PL: anildo guedes (anildo_guedes_at_uol.com.br)Data: seg 18 nov 2002 - 21:53:43 EDT
Próxima mensagem: VValdemar Pavan: "Fw:Re: Caetano Veloso: Um revolucionário que ainda está em movimento"
Mensagem anterior: Paulo Eduardo Neves: "teste"
Cadê o Fabio > Gangaz???
Quinta estarei em Itajai com os dois, onde farão show as 21:00 no Galpão das Artes, com abertura da Velha Guarda da Copa Lord (estão lindos e afinados) e acompanhamento do Bom Partido. Apareça.
Anildo
#Mensagem modificada, anexos e HTML removidos#

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Cimples Ocio Partido Alto - Samba e instrumentos neste dia 06 de dezembro







Jandira de Souza (Grupo Bom Partido)- Prato-e-faca
Rafael Gaucer - violão 7 cordas
Maguinho da Ilha - percussão geral
Marcos Galvão - sambas de Manacea, Elton Medeiros e Wilson Moreira
- em outra postagem adicionamosas outras participações

Roda de samba especial 06 de dezembro 2008






Jandira versando no Cimples Ocio em 2005 e cantando sempre bons sambas.
Marcos Galvão - convivencia com Manacea, Wilson Moreira e mais de 26.000 musicas armazenadas (80% de sambas). Canjas especiais do Daniel Miranda e Julião Boemio são sempre muito expressivas. Maguinho da Ilha(na foto desafiando o Nadinho da Ilha)terá a responsabilidade da percussão geral.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Samba do dia 06 dez, sabado

Apareçam. Algumas comemorações importantes para o Cimples Ócio - encerramento dos eventos Dia Nacional do Samba, aniversario do Marcus Cabeleira, amigo especial da casa e o retorno da sambista Jandira (Santa Catarina) à Curitiba.
- Neste samba especial dedicado ao Partido Alto, de Curitiba teremos o cavaquinista Marcio Mania, compositor, versador e estudioso dos sambas, Panelão, da nova geração de instrumentistas do samba de Curitiba, também sabe das coisas nos improvisos, alem da otima pegada do Maguinho da Ilha - nos versos e nos intrumentos. De Santa Catarina vem o violão 7 que mais evoluiu nos ultimos tempos - tanto no repertorio,quanto no estudo do seu instrumento - Rafael Glaucer. Teremos as particpações especiais do Marcos Galvão (Camboriu-SC), pesquisador do genero, o Quarteto Cabide de Molango, do trombonista Osmario Estevan Junior, desfilando muito Cartola e Geraldo Pereira. E também as canjas do Julião Boemio e Daniel Miranda, chorões paranaenses de destaque
- É uma festa popular - ingressos R$ 5,00.
Parabens antecipados para o Marcus Cabeleira.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

comemorações Dia Nacional do Samba 2008

Como sempre nos ultimos anos , ao invés de ir para o Rio, faço algo por aqui - segue programação e por favor ajudem na divulgação. Ano passado foi no Espaço Cultural Calamengau, mas este ano vamos ficar no semi-cafofo, com friozinho e tudo em pleno dezembro. Apareçam, a exposição de textos e fotos vai ser algo nunca visto nas terras paranaenses - pela quantidade e conteudo.

02 dez - Dia Nacional do Samba
Cimples Ócio - espaço dedicado à divulgação do samba e choro tradicionais
Comemorações
30/11 - domingo - 2 da tarde
Feijoada! e muito samba bom! Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Dona Ivone Lara, ...
Orientador musical: Vinicius Chamorro (violão)
participações: Daniel Miranda (sax/clarinete), Juliao Boemio (cavaco/violão tenor), Mãe Orminda (voz), Nega Fuá (voz), Maguinho e Dinda (percussão geral).

02/12- terça - 2 da tarde
(vamos fazer um feriando por conta - hehehe)
Dia Nacional do Samba
- exposição com mais de 100 fotos e textos sobre a trajetória do samba.
- Vida e obra de sambistas históricos (vídeos/fotos/textos)
- barracas temáticas direcionadas às crianças
- biblioteca do samba
- encontro de músicos ligados ao samba em Curitiba
- culinária tradicional dos pagodes de fundo de quintal (tradição)

06/12- sabado - 2 da tarde
Choros, Partido Alto, calangos
(Aniversario Marcus Cabeleira)
Encerramento das comemorações Dia Nacional do Samba - 02 dez
- Juliao Boemio, Marcio Mania, Panelão ...
hora: 14h00
-Comida de boteco e cozidos

Serviço:
dia 30/11 - domingo
hora: 14h00
feijoada R$ 13,00 p/pessoa
ingressos: R$ 10,00 (individual) - R$ 16,00 (casal) e R$ 7,00 (estudantes)

data 02/12 - terça - Dia Nacional do Samba
hora:14h00
ingressos: R$ 5,00
livre: músicos, menores de 16 anos, professores e aposentados.

data 06/12 - sabado - Partido alto

hora:14h00

ingressos: R$ 5,00

culinaria: Comida de boteco e cozidos (R$ 10,00)


Local: Cimples Ócio - Feitoria
Rua Miguel Jorge Nasser, 206- bairro Tingui - Curitiba - Pr
(41) 8802-0347 / 9172-7407 / 3209-8802
email:cimples.ocio@gmail.com


segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Choroes memoraveis




Vinil Choro no ceu - é um bom e pequeno panorama do choro com resumo das biografias - clique na foto para visualiza-las melhor.
Tem Waldir Azevedo, Pixinguinha, Benedito Lacerda, Jacob do Bandolim, Luiz Americano, Luperce Miranda, Copinha, Dilermando Reis e Tia Amelia.
Acervo Anildo - Biblioteca Cimples Ócio

Geraldo Pereira "Um escurinho direitinho"

Mais alguns detalhes do Livro sobre Geraldo Pereira. Na foto 2 show "Clarins em fá" Geraldo Pereira no centro de terno branco entre as pastoras e abaixo Geraldo Pereira, Geraldo Barbosa, Barão, Arno Canegal, Raul Marques e Euclides. Ao lado partitura e letra de Bolinha de papel. Na foto 1 partitura e letra de Escurinho e Falsa Baiana. (clique na foto para maior nitidez)


foto 1


Fonte: acervo Anildo livro "Um escurinho direitinho - A vida e a obra de Geraldo Pereira. Luis Fernando Vieira, Luis Pimentel e Suetônio Valença - Relume 1995




Roberto Silva

Segue texto do Lucio Rangel da contracapa do disco Descendo o Morro - volume tres.

Desde 1917, quando o primeiro samba gravado, o famoso “PELO TELEFONE”, algumas centenas, alguns milhares de outros sambas percorreram o Brasil através dos discos fonográficos. Alguns ficaram nas prateleiras das casas especializadas, empoeirado, dormindo o sono do insucesso; outros, alcançaram êxito efêmero e foram, depois, esquecidos .
Em uma terceira categoria, dos raros, então os sambas que parecem resistir ao tempo, sempre lembrados, morando na lembrança e na saudade de toda gente: são os “diamantes”, as “jóias”, as obras-primas, realizadas em um momento de inspiração sobre o motivo feliz e imperecível. São os que ficam..
Realizando a vitoriosa serie “Descendo o morro”, a direção artística da Copacabana procurou, justamente, os sambas pertencentes á ultima serie – escolheu os sambas mais belos, mais felizes e mais autênticos, realizando uma verdadeira antologia do gênero e confiando sua interpretação a um dos melhores especialistas, um moço que canta com propriedade, que sabe valorizar as letras dentro do ritmo adequado e buliçoso do verdadeiro samba carioca – Roberto Silva.
E o publico, que raramente se engana , soube prestigiar e aplaudir a iniciativa – este é o terceiro volume do “Descendo o morro” e vai, certamente, alcançar o mesmo sucesso dos anteriores, pois, mais uma vez, doze das melhores produções de sambistas cariocas, esse homem irônico e sentimental, malicioso e às vezes ingênuo, estão aqui presentes.
“Presente esta Noel Rosa, o imortal sambista da Vila, com uma de suas obras-primas consagradas – “PALPITE INFELIZ”; presente esta o notável Alberto de Castro Simoens da Silva, descendente da Marquesa de Santos, e que o grande publico conhece como” BORORÓ”. Como presentes estão outros expoentes no gênero, o grande Ataulfo Alves, a dupla inesquecível formada por J. Cascata e Leonel Azevedo, Denis Brean, que è um teórico do samba, como demonstra em suas excelentes notas criticas, mas também um professor que sabe realizar o que ensina Benedito Lacerda o saudoso Benedito, sabio que infelizmente, se foi para sempre, Herivelto Martins, compositor cujo jubileu foi comemorado pelo Brasil inteiro, Roberto Martins e Mario Rossi, coautores da autentica maravilha que se chama” BEIJA FLOR”, Antonio Almeida e João Bastos Filho, Djalma Mafra e Nelson Silva, Garcez e Arno Canegal, Luciano Rodrigues, Zé Pretinho e Reis Saint-Clair, todos representados pelas suas mais famosas produções.
Com acompanhamento impecável, realizado pelos melhores instrumentistas, com o repertorio magnífico e realmente popular, o cantor Roberto silva, com este terceiro álbum “DESCENDO O MORRO”, vai novamente comover e divertir com suas interpretações tão genuinamente nossas, com a sua arte simples e sincera.

Lucio Rangel

Acervo: Maerlio - Ceara do Calamengau
digitação: Cibian Fernanda em 23.11.2008

domingo, 23 de novembro de 2008

Geraldo Pereira - discografia

Musicas gravadas do compositor Geraldo Pereira (23/04/1918 - 08/05/1955):
L.P gravados:

Roberto Silva interpreta Haroldo Lobo, Geraldo Pereira e seus parceiros - gravadora Som - 1976
Sambas:
- Acabou a sopa (com Augusto Garcez)
- Os caprichos meus (com Arnaldo Passos)
- Escurinho
- Lembras-te daquela "zinha"? (com Augusto Garcez)
- Pisei num despacho (com Elpidio Viana)
- Voce esta sumindo (com Jorge de Castro)

Evocação V
gravadora Estudio Eldorado - 1980

- Acabou a sopa (com Augusto Garcez) - interprete: Marçal
- Ainda sou seu amigo - interprete Elton Medeiros
- Até hoje não voltou (com J. Portela) - interprete Nelson Sargento
- Bolinha de papel - interprete Grupo Tarsis
- Escurinha (com Arnaldo Passos) - interprete Joao Nogueira
- Escurinho - interprete Roberto Silva
- Mais cedo ou mais tarde - interprete Macalé
- Ministerio da economia (com Arnaldo Passos) - interprete: Monarco
- Onde esta a Florisbela (com Ari Monteiro) - interprete: Batista de Souza
- Pedro do pedregulho - interprete Vania Carvalho
- Pisei num despacho (com Elpidio Viana) - interprete: Jackson do Pandeiro
- Pode ser? )com Marino Pinto - interprete: Cristina
- Se voce sair chorando (Nelson Teixeira) - interprete: coro (diversos)

O ultimo malandro
Moreira da Silva - gravadora Emil/Odeon - 1948

 
- Acertei na milhar (com Wilosn Batista)


Historia da Musica Popular Brasileira - numero 31 e 35
abril Cultural - gravadora RCA

- Acertei no milhar (com Wilson Batista) interprete: Jorge Veiga
- Bolinha de papel - interprete: Joao Gilberto
- Cabritada mal sucedida (com Jorge Gebara) interprete: Geraldo Pereira
- Chegou a bonitona (com Jose Batista) - interprete: Blecaute
- Escurinha (com Arnaldo Passos) - interprete: Jorge Veiga
- Escurinho - interprete: Roberto Silva
- Falsa Baiana - interprete Ciro Monteiro
- Que samba bom (com Arnaldo Passos) interprete: Martinhho da Vila
- Voce esta sumindo (com Jorge de Castro) - interprete: Paulinho da Viola

Gerado Pereira - 1918 - 1955


Com 21 anos, 1939 foi gravada sua primeira musica "Se voce sair chorando" com Nelson Texeira, tendo como interprete Roberto Paiva. Projetou os autores, pois foi muita cantada e tocada em todas as radios do Rio de Janeiro. Regravado em 1981 - Gravadora Eldorado - serie Evocação


Letra:
Se voce sair chorando
dizendo que vai embora
meu amor não ignoro
o seu pensar
ficarei muito contente
vou viver com alegria
espero o seu desprezo um dia
não vou chorar

Voce vai que a rua lhe convida
de que valem duas vidas
sem prazer?
Tudo quanto é dificil
eu dou-lhe com alegria
e voce não sabe me compreender
.

Fonte: livro "Um escurinho direitinho - a vida e a obra de Geraldo Pereira"
deLuis Fernando Vieira - Luis Pimentel e Suetonio Valença
RJ - Relume 1995

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Jacob do Bandolim

Procurando informações sobre o Rogerio Souza (violão e violão 7, compositor e arranjador) do Grupo Nó em Pingo d'Agua) que estara sexta no Cimples Ócio, acabei encontrado no sitio da Kuarup este texto. Espero que não seja processado. Chama-se Jacob por Jacob. Percam um tempinho.


Apresentação

Jacob por Jacob

Tentou cantar uma segunda voz no Hino Nacional e ficou de castigo no primário.
Menino sozinho e "sem licença pra ir na rua", ficava em casa pinicando as cordas de um violino com um grampo, até descobrir seu verdadeiro instrumento, o bandolin, que lhe deu glória e nome.
Sem método e sem professor, tornou-se o maior solista de seu instrumento na história da música brasileira.
Jacob foi, com Pixinguinha, Nazareth e Waldir Azevedo, um dos grandes nomes do choro. Gravou boa parte de sua obra, interpretou outros compositores e teve peças escritas exclusivamente para ele, como o 1º Concerto Para Bandolim e Orquestra de Radamés Gnattali.Pesquisador da música brasileira, tinha um enorme arquivo de partituras (hoje no MIS).
Foi líder de um dos melhores grupos de choro e de seu tempo, o Época de Ouro, e deixou uma obra repleta de choros, valsas, sambas, baiões, frevos, maxixes, polcas, schottish e mazurcas.
Em 1967, dois anos antes de sua morte, com seu português de escrivão da 11º Vara Criminal do então Estado da Guanabara, redigiu literalmente, a seguinte "Nota autobiográfica":
- Jacob Pick Bittencourt, n.14.2.1918, à Rua das Laranjeiras nº 180 (Maternidade), GB, único filho do farmacêutico Francisco Gomes Bittencourt (Cachoeiro de Itapemerim - ES) e de Raquel Pick (Lodz - Polônia), ambos, e todos os ascendentes conhecidos, alheios à música. Reside à Rua Comandante Rubens Silva 62 (JPA- GB). Casado com Adylia Freitas Bittencourt. Filhos: Sérgio Freitas Bittencourt (n. 3.2.41. RJ, jornalista e compositor) e Helena Freitas Bittencourt (n. 8.4.42. RJ, cirurgiã-dentista).
Cursou o primário na Escola Deodoro (Glória-GB), o admissão na Deutsche Schule (atual Cruzeiro do Sul-Senado-GB), o 1º ginasial e o comércial completo, na British American School (atual colégio Anglo Americano-Botafogo-GB), o de perito-contador no Instituto Freycinet e no Instituto Brasileiro de Contabilidade, formado por este em 1957. Nunca exerceu esta profissão. Foi prático de farmácia, vendedor pracista, agente de seguros e de títulos diversos, vendedor de material elétrico, parafusos, sabão e granel, material de papelaria, dono de um laboratório e duas farmácias sucessivamente. Sem vocação para o comércio, prestou concurso para escrevente-juramentado da Justiça da GB, sendo nomeado em 1944. Todas as suas promoções foram por merecimento, inclusive para o atual cargo de Escrivão Titular de Juízo de Direito da 11ª Vara Criminal.
1ª intuição musical: quando, na Escola Deodoro (1º primário), tentou cantar a segunda voz do Hino Nacional. Prêmio: retido até a noite.
1ª manifestação musical: gaita de boca para divertir os colegas na British American School.Bandolin: em 1930/31, na Rua Joaquim Silva 97 (Lapa-GB), onde foi criado, ouviu um vizinho, francês e cego, tocar violino.
Obteve um de sua mãe, estudando sozinho e reproduzindo valsas e modinhas que ela, em casa, e os vendedores de modinhas, na rua, cantavam. O arco era cansativo. Passou a pinicar cordas com granpo de cabelo, sem saber que havia um instrumento adequado para esse modo de tocar, pois não tinha amiguinhos no seu bairro e nem liberdade para ir à rua.
Cordas estouradas, despesas, reclamações, até que uma amiga de sua mãe esclareceu tudo. Comprou, em sua companhia, na Guitarra de Prata, um bandolin de "cuia" (mod. napolitano) que custou 80 mil réis.
Sem métodos nem professores, nele estudou apesar de precário o instrumento. É, até hoje, auto didata.
Em 20.12.933, impelido por amigos, mas sem qualquer interesse, tocou na Rádio Guanabara, à Rua General Câmara nº 60 - 3º andar, na Hora do Amador Untisal, o choro - "Aguenta, seu Fulgêncio" de Atílio Graní, acompanhado do Conjunto do Sereno, organizado, às pressas, no bairro do Lins: Carlos Gil (cavaquinho, falecido), Natalino Gil (irmão do 1º, pandeirista) e Ernesto (um eletricista cujo o destino ignora). O contra-regra era Evaldo Rui. As paredes do studio forradas de saco de aniagem, pois não existia celotex. Não insistiu. Preferiu estudar mais, interessado nas serestas e saraus.
Em 5.5.934, tocou violão na Rádio Educadora (Horas Luso-Brasileiras) e, na mesma noite, no Club Ginástico Português, acompanhando o guitarrista Antônio Rodrigues e os cantores Ramiro d'Oliveira e Esmeraldo Ferreira. Explica: frequentando a Casa Silva, de instrumentos, à Rua do Senado nº17, entusiasmara os guitarristas que ali iam, com certo jeito com que marcava os fados ao violão (produto, certamente, do pouco que sabia nesse instrumento).
As honras eram tantas que quase abandona o bandolin e se transforma num segundo Xavier Pinheiro.
Finalmente:Em 27.5.934, com o Conjunto "Jacob e sua Gente" (Carlos Gil, cavaquinho, Osmar Menezes, violão, falecido, Valério Farias "Roxinho", violão, Manoel Gil, pandeiro e Natalino Gil, ritmista), assim batizado por Eratóstenes Frazão, obteve o 1º lugar entre 28 conjuntos, no Programa Guanabara, em Concurso promovido pelo "O Radical" e dirigido por Frazão. O 6º lugar foi do cantor de foxes Haroldo Barbosa (ex-cavaquinista). Banca examinadora que lhe conferiu, unanimente, 10 pontos: Orestes Barbosa, Francisco Alves, Benedito Lacerda, Cristovão de Alencar, Eratóstenes Frazão, Alberto Manes, (diretor da Rádio Guanabara), Oscar Pamplona (de "O Dragão"), e sua filha Maria Pamplona (professora do Instituto Nacional de Música).
Com esse conjunto passou a colaborar, alternadamente, com o de "Benedito Lacerda e Gente do Morro", nos acompanhamentos dos principiantes e, depois, a Manesinho Araujo, Silvio Vieira, Henricão e Sarita, Cléo Silva, Dupla Preto e Branco (Herivelto e Francisco Sena), Noel Rosa (que orgulho!), J. Cascata, Renato Muros, Zaira de Oliveira, Afonsinho (cantor e futebolista), Murilo Caldas, Jaime Brito, Ciro de Souza, Mário Moraes, Fausto Paranhos, Leonel de Azevedo, Dunga, Joel e Gaúcho, Sílvio Pinto, Luiz Barbosa, Djalma Ferreira, Augusto Calheiros etc. (referências para fixar épocas e ambientes).
Tocou nas rádios, Educadora (nas 3 sedes: Rua 1º de Março, Senador Dantas e Marquês de Valença), Mayrink, Club, Cajuti, Ipanema, Mauá e Nacional (1955/58). Toca de ouvido e, desde 1949, também por música, que aprendeu sozinho.
Toca todos os instrumentos afiados em quintas justas e vibrados por palheta. Precariamente, cavaquinho e violão. Criou (ou adaptou) a violinha, o vibraplex, tuba de cordas, barítono de cordas e bandolim-brilhante (em estudo).
Produtor do programa "Noite dos Choristas", na TV Record, em 1955 e 1956, quando, num só conjunto, reuniu cêrca de 130 instrumentistas principiantes, que mal sabiam afinar seus instrumentos, conseguindo um resultado digno dos aplausos dos maestros Pixinguinha e Gerra-Peixe.
Musicófilo e colecionador de músicas populares brasileiras, principalmente instrumentais.
Troféus e Títulos:
1954 - "O melhor solista" (Guarani) - 1º Festival Brasileiro do Disco (Diário Associados - SP)1961 - "Melhor Solista Popular" (Euterpe) - Prêmio Cidade São Sebastião do Rio de Janeiro
1964 - "Melhor LP de Música Brasileira" (Guarani) - 3º Festival do Disco - SP
1964 - "Melhor LP de Música Brasileira" - Associação Brasileira de Críticos de Discos
1966 - Membro do Júri do Concurso "Um Cantor por 10 milhões e 10 milhões por uma canção"
1967 - Membro do Júri do 1º Festival Estudantil de Música Popular
1967 - Membro da Comissão de Seleção de Música para o Carnaval de 1968.
- Membro nato do Conselho de Música Popular Brasileira do Museu de Imagem e do Som.

fonte: http://www.kuarup.com.br
Apresentação do CD Sempre Jacob

sábado, 1 de novembro de 2008

Arte no samba - Yara Teixeira - Curitiba




Roda de Choro - inicio do seculo
Sinhô














Praça onze e casas das baianas















Pixinguinha

e Caninha










Hilario Jovino e a criação do mestre salas
























Baianas da Tia Ciata









Yara é uma artista plastica de destaque aqui em Curitiba. Trabalha com as cores de forma exuberante. Os desenhos sao de um livro sobre os grandes sambistas desde a casa da Tia Ciata.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Dicionario

Arrumando minhas tradicionais bagunças de papel, livros, etc. Acabei não resistindo e dando uma olhadela num "dicionario escolar ingles-português português-ingles" do ministerio de Educação e cultura, 1957 - direitos autorais exclusivos da Fename - Ministerio da Educação e Cultura - Rio de Janeiro - GB - Brasil - 6.a edição - Oswaldo Serpa - 700.000 exemplares - agosto, 1969 - Presidente da Republica Costa e Silva (mare chal) e Minstro da Educação e Cultura, Deputado Tarso Dutra.

- jongo, masc - a negro dance
- maxixe, masc - a gherkin; a Brasilian dance.
- candongueiro, masc - contrabandist; flatterer; intriguer.
- samba, masc - a lively dance of African origin.

Paulinho em Floripa e oficinas de choro dia 07 e 08 nov

Este convite me chegou por email. é da Gabi, pandeirista de Floripa e batalhadora da boa musica brasileira. Segue:

OFICINAS DE CHORO NO BAIACU DE ALGUÉM

Olá, amigos e amigas!

Gostaria de divulgar a vocês e pedir que espalhem aos interessados as oficinas de choro que acontecerão lá na Associação Cultural Baiacu de Alguém, em Santo Antônio de Lisboa, um espaço muito legal onde já estão acontecendo inclusive várias oficinas artísticas oferecidas à comunidade (http://www.baiacudealguem.com.br/).
Aproveitando a vinda de Paulinho da Viola com toda sua banda para Florianópolis (show dia 7 de novembro), consegui marcar uma oficina de choro com dois músicos muito especiais: o Mário Sève (sopros) e o Celsinho Silva (pandeiro). Eles ficarão na ilha um dia a mais para fazermos as oficinas, então é uma boa oportunidade para estar com eles e aprender um pouquinho mais... além de músicos excelentes são pessoas maravilhosas e com muita história pra contar.
O valor das oficinas é bem acesível, R$ 30,00 para fazer uma e R$ 50,00 para as duas, que serão em horários diferentes. Acontecerão no sábado – dia 8 – à tarde, e à noite vai ter festa com os grupos Molho Madêra e Gafieira Light.

OFICINA DE PRÁTICA DE CONJUNTO DE CHORO COM MÁRIO SÈVE
Saxofonista, flautista, compositor e arranjador. Integrante dos quintetos NÓ EM PINGO D'ÁGUA e AQUARELA CARIOCA e da banda de PAULINHO DA VIOLA. Lançou em 2007 seu primeiro cd exclusivamente autoral - CASA DE TODO MUNDO (Núcleo Contemporâneo. Gravou com Marcelo Fagerlande, Daniela Spielmann, David Ganc, Paulinho da Viola, entre muitos outros. É autor do livro VOCABULÁRIO DO CHORO (Ed. Lumiar), realizando workshops e oficinas pelo Brasil. Está lançando CHOROS 100 (Biscoito Fino) – cd e livro - com clássicos do choro e os 3 volumes do SONGBOOK DO CHORO (Ed. Lumiar).
Para esta oficina é preciso ter domínio de um instrumento (melódico, harmônico ou de percussão). Mário Sève irá propor arranjos de clássicos do choro como também de composições menos conhecidas e composições próprias,
já que é um compositor de mão cheia.

OFICINA DE PANDEIRO COM CELSINHO SILVA
Pandeirista, compositor e produtor, integra os quintetos Nó em Pingo Dágua, Cinco no Choro e a banda de Paulinho da Viola desde 1980, com o qual já gravou 9 cds, sempre participando dos shows e gravações. Filho de Jorginho do Pandeiro e sobrinho de Dino 7 Cordas (Época de Ouro), Celsinho Silva vem de uma família de grande importância para a música brasileira. Atua como professor de pandeiro na Escola Portátil de Música (RJ) desde a sua fundação em 2000 e realiza oficinas de pandeiro e choro pelo Brasil e exterior.

* OFICINAS DE CHORO
* ASSOCIAÇÃO CULTURAL BAIACU DE ALGUÉM
Rua Padre Lourenço R. de Andrade, 650
Santo Antônio de Lisboa – Florianópolis
* DIA 8 DE NOVEMBRO (SÁBADO)
* PANDEIRO (CELSINHO SILVA) – 13:30h às 16:30h
* PRÁTICA DE CONJUNTO (MÁRIO SÈVE) – 16:30h – 19:30h
* R$ 30,00 (UMA) R$ 50,00 (AS DUAS)

Quem quiser participar pode me procurar por email ou telefone.
Gabriela Flor – gabrielapandeiro@gmail.com (48) 8405 4128

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Ze da Velha e Silverio no Cimples Ócio

Silverio Pontes, Marcus e Ze da Velha
no final da noite apareceram Hamilton de Holanda e Rogerio Caetano - emprestaram 02 cavacos e juntaram-se a Alessandro Cardoso e deu samba com 03 cavaquinhos. Rogerio soltou a voz. E o samba rolou ate 3:30 na cozinha do Cimples Ócio.















A dupla e o regional completo


Marcus era um frequentador. Hoje virou parceiro e amigo do Cimples Ocio. Fez um texto que humildemente pediu para ser analisado. Nem precisaria -só pelo carinho gostando ou não seria postado da mesma forma. Não é especifico para samba e choro, pois dicorre sobre o espaço e não tive coragem de esquarteja-lo para postar nos blogs de culinaria e/ou espaço. Obrigado pelo carinho Marcus Cabeleira. Segue o texto dele:

Cimples Ócio – Silvério Pontes e Zé da Velha - 15 de outubro de 2008

A culinária

A cozinha no Cimples é tão fundamental quanto a boa música. Um elemento importante para o trabalho de resgate das “culturas populares” que Anildo faz já há tempos. E como sempre, a comida estava fantástica, com o toque divinal do triunvirato Elza, Juliana e Neuza (ainda dodoizinha), esta última se superando para colaborar com a festa.

Sem falar nos ajudantes e ajudantas, mas essa parte fica para o dono.

Vaca atolada, calabresa, bolinho de arroz, pratos brasileiros de todos os dias, que exatamente por serem “cimples” acabam por serem sofisticadíssimos na atual era dos fast food’s.

O público

Não tinha “consumidores” de música, o público habitual dos bares hoje em dia, que não conseguem cantar o “Trem das Onze” inteiro, não porque não sabem a letra, mas porque soa em seus ouvidos com o mesmo efeito produzido por uma buzina de carro. Pessoas novas apareceram, apreenderam o espírito do ambiente, do espaço, que também reflete as concepções que o dono tem da vida, da cultura e da boa música. Sabem que não é mais um “barzinho” pra tomar um “choppinho” e ouvir uma “MPB” — seja lá o que isso signifique. O espaço, a música e tudo mais que se vê e se sente no Cimples, não são coisas passíveis de consumo, é pra sentir e refletir, e esse era o público que estava lá ontem. Fundamental também ver os rostos já conhecidos, dedicados e assíduos na arte da Feitoria.

A música

Primeiro, um quarteto de arrepiar, já conhecido entre os apreciadores do bom “samba e choro” curitibano. Julião, Vinícius, Zezinho e Gabriel tocavam como se esculpissem em marfim; tudo precisão e delicadeza com seus instrumentos – nossos ouvidos e nossa alma são inteiramente gratos.
Depois, dois ícones para a história musical brasileira, dois bambas no sentido clássico, de “sábios”, “magos”, “mestres do samba”, já inscritos no panteão dos grandes de nossa música.

Emoção contínua do começo ao fim de cada música, o que se viu pelo brilho beirando as lágrimas nos olhos de vários que desfrutaram de tudo que eles tão bondosamente nos ofereceram.

Silvério e Zé da Velha nos mostram (no meu caso, que não tinha visto o show deles ao vivo ainda) que as manifestações culturais que são efetivamente relevantes para a resistência e reprodução da cultura brasileira ocorrem na “cimplicidade” de espaços e tempos distantes dos megaespetáculos, das grandes produções, do mainstream da indústria cultural negativamente midiatizada, tudo isso enfiado goela abaixo, ao contrário dos que acham que consomem o que querem. Esse é um lado.

O outro lado foi pura emoção mesmo, pela intensidade da música, pela cumplicidade e pelo diálogo o que os dois estabelecem através de seus instrumentos e que seus instrumentos estabelecem através deles. São momentos daqueles que choramos depois porque acabou. É como se um ápice de êxtase se tornasse constante em nossos ouvidos, levando a uma alegria plena. Contagiaram todos e todas mesmo, eles e vosso magnífico conjunto.

Papai e mamãe que há 10 anos não botavam o nariz pra fora de casa para um programa lúdico-musical, estão loucos para retornar.
Parabéns Anildo.

Marcus Pedroso de Souza (Cabeleira), sociólogo, fã do Anildo, apreciador e entusiasta do samba como síntese orgânica e histórica da cultura brasileira

maxixes e carnaval anos 10

1914

Grande escandalo nacional: a esposa do presidente da republica, Nair de Teffé, num baile do Catete, toca ao violão o maxixe Corta jaca, de Chiquinha Gonzaga:
“ Ai!Ai! que bom cortar a jaca
Ai! Sim! Meu bem, ataca
Sem descansar.”

- João Foca e Bastos Tigre assim descrevem o maxixe :
”dança proibida pela policia e pelo cardeal”.
“O cavalheiro segura /
A cavalheira com jeito /
Pouco abaixo da cintura /
E vai chamando ela ao peito /
Ela, a cara, toda terna /
Gruda na cara do meço /
E depois, perna com perna /
Caem os dois no perereco.”

- o grande triunfo do caranaval é – pela primeira vez – o modinheiro Catulo da Paixão Cearense. Junto com João Pernambuco, Catulo alcança tal êxito, durante todo o ano de 1913,
que no carnaval não dá outra: de norte a sul, o povo exclama:
“Caboca de caxanga,
Minha caboca, vem cá.”



Fonte:
Darcy Ribeiro
livro "Aos Trancos e Barrancos - Como o Brasil deu no que deu"
– 2.a edição 1985

domingo, 5 de outubro de 2008

Cimples Ócio - Acervo samba - Curitiba - Paulinho da Viola 10 anos - vinil

A partir de hoje bem lentamente (me bati muito, perdendo tempo demais para postar este) inicio o escaneamento do meus vinis. Espero que mais tarde sirva como fonte de pesquisa para alguns. Como há muitos blogs para baixar os sambas, vou focar nas informações que estes discos traziam, hoje fonte de bons textos para embasamento historico do samba.
A escolha recaiu sobre este disco pelo texto do Sergio Cabral na contracapa que cita um encontro do Paulinho em 1962 com um pessoal da bossa nova - então fica minha homenagem aos 50 anos, comemorados por estes dias (sic). No fundo, de verdade, minha homenagem ao talento do homem e musico Paulinho, que está anos luz na frente de um monte de dois tons da bossa nova que fizeram sucesso. E também pela proximidade do Sergio Cabral com Paulinho.


contracapa

capa


na contracapa embaixo da foto tem um texto do Sergio Cabral e reproduzo abaixo, em função das letras serem pequenas e voces teriam dificuldades para visualizar, vamos lá:
Na primeira vez que vi Paulinho da Viola, fiquei sabendo de uma das suas marcas registradas: a timidez. Foi mais ou menos em 1962, na casa do poeta Herminio Belo de Carvalho, durante uma reunião de músicos e compositores. Herminio pediu a Paulinho para tocar qualquer coisa, mas ele se recusou afirmando que seu violão era "quadrado" ( a maioria dos presentes era francamente da bossa-nova).
Nosso contato seguinte aconteceu em 1963 quando preparamos o lançamento do imortal Zicartola - a casa de samba e restaurante do maravilhoso casal mangueirense Cartola e Zica. Cartola mandava brasa no samba e Zica na cozinha.
Com Hermninio e Zé Kéti, a gente ia ao banco onde onde Paulinho trabalhava para leva-lo ao Zicartola, onde viria acompanhar no violão os grandes sanbistas que se apresentavam na casa.
Paulinho da Viola ainda não era Paulinho da Viola. Era Paulo Cesar. Zé Kéti é que sugeriu a mudança de nome. "Paulo Cesar não é nome de sambista". disse ele. Concordei e sugeri um pseudônimo que tivesse a palavra viola, pois um dos apelidos mais encantadores que conheço na música popular é o do Mano Décio da Viola. "Paulo da Viola", disse Zé Kéti. "Pauliho da Viola", completei.
O batizado foi feito no próprio Zicartola e, se não me engano, foi Zé Kéti que comunicou a Paulo Cesar, que ele seria dali em diante, Paulinho da Viola, que aliás, continuava tímido. Já tinha uns sambas mas era uma dificuldade incrivel fazer o compositor cantá-los. Dez vez em quando, aventurava-se a bancar o cantor (um dos seus sambas falava de de "sapato" e "retrato". Era muito interessante mas nem o proprio Paulinho se lembra mais).
Ficamos amigos. Estivemos juntos no Festival de Arte Negra, realizado em 1966 no Senegal, trabalhamos na antiga casa Grande e em muitos shows, entre os quais um chamado "Sarau", que relançou o choro no consumo e que me traz as mais alegres lembranças.
Posso dizer que se há uma carreira que conheço de perto, esta é a de Paulinho da Viola. Carreira que fca ainda mais próxima quando vejo o repertório desse disco, que começa com "Sem ela eu não vou", do seu primeiro LP (Paulinho escreveu na contracapa e datou: 7 de outubro de 1968) e vai até o choro "Beliscando", sambista e chorão que ele é. Infelizmente, o espaço de uma contracapa não dá para contar a história de cada música, mas não custa chamar a atenção para alguma delas. "Sinal fechado", por exemplo, ganhou o Festival de Musica Popular da Record. "Foi um rio que passou em minha vida" venceu a Feira de Musica da TV Tupi de São Paulo e foi uma espécie de hino da Portela em 1970. "Um certo dia para 21" foi o samba de terreiro que Paulinho lançou na Portela em 1971. "Coisas do mundo, minha nega", finalista da I Bienal do Samba e incluido tanto no primeiro quanto no último LP de Paulinho. Para este disco, o compositor preferiu aproveitar a gravação mais recente, talvez pelo acompanhamento mais leve e, portanto, mais adequado para a música.
Não é preciso escrever mais. Basta ouvir este LP que narra musicalmente os dez anos da carreira de Paulinho da Viola na Odeon. Só isso é o suficiente para qualquer um constatar que se trata de um dos mais veementes exemplos de talento, dignidade e carater da nossa música popular.
Sérgio Cabral
Sinal Fechado
Argumento
Dança da solidão
Nada de novo
Perdoa (participação especial Elton Medeiros)
Coisas do mundo, minha nega
Sem ela eu não vou
Foi um rio que passou em minha vida
Para ver as meninas
Comprimido
No pagode do Vavá
Dona Santina e s eu Antenor
Um certo dia 21
Beliscando
Todas as músicas são de autoria de Paulinho da Viola
Capa Elifas Andreato Fotos: Lena Trindade

sábado, 4 de outubro de 2008

Indicação / informações e audio "Berço do Samba"

Sitio que dá para espremer algumas coisas. Tem audio e boas informações. Esteve fora do ar um bom tempo.

:: Berço do Samba ::O melhor do samba no Brasil!

http://www.bercodosamba.com.br/

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Semeadura e companhias "diga-me com quem andas ..."

Esta postagem é uma homenagem ao Elifas Andreatto, que fomentou umas das minhas paixões - as criações das capas dos vinis do Paulinho da Viola. Fez parte da criação de um dos melhores trabalhos sobre samba, a serie na Abril Cultural Historia da Musica Popular Brasileira. O texto não é de samba, mas vale a homenagem e é bem bonito.
Elifas, escrevendo sobre seu trabalho e vida, na contracapa de sua revista BRASIL - Almanaque de Cultura Popular

Novos velhos amigos
e uma árvore mãe

Ter nascido paranaense em 1946 talvez tenha a ver com minha preferência por anos pares. Nem todos os ímpares foram ruins. Só posso reclamar de um: 1975, ano em que assassinaram o jornalista e amigo Vladimir Herzog.
Mas os pares, sem dúvida, foram mais felizes.
Bento nasceu em 1976; Laura, em 1978. Foram o que de melhor aconteceu em minha vida. Em outro longínquo ano par reencontrei Cleide, minha companheira. Por falta de espaço, lembro apenas de mais um: 1970, quando fiz o projeto gráfico da revista Placar e fundei com ilustres companheiros, na Abril Cultural, a série de fascículos História da Música Popular Brasileira.
Este ano começou muito bem, com homenagens em calendários e agendas da Posi­graf, seção especial com meus retratos de músicos na revista Gráfica - uma das mais conceituadas publicações do gênero -, um novo livro que sairá no fim do ano, e a abertura da minissérie Queridos Amigos, de Maria Adelaide Amaral, companheira de geração e de batalha contra as aflições impostas pelo regime militar.
Agora, vejo consagrado o prestígio deste ALMANAQuE, que junta-se aos parceiros pa­ranaenses que estiveram conosco no passado e a outros igualmente solidários que voltam a apoiar o projeto, numa demonstração clara do apreço e respeito que têm pela publicação. Eles são cúmplices em nossa missão: o resgate e a difusão da memória brasileira e a propagação das boas histórias do País.
Na juventude, quando me via em más companhias, minha sábia mãe lembrava o dito repeti­do por meu avôl: "Diga-me com quem andas e eu te direi quem és” . Há pouco tempo, contei a dona Alzira que estava andando com ótimas companhias. Ela então suspirou aliviada, per­guntou pelos nomes e me benzeu, como sempre fez nas ocasiões em que me viu contente.
Quando nos despedimos, ao abraçar-me, ela falou baixinho em meu ouvido: "Semente bem plantada, meu filho. Sempre dá bons frutos. Colha orgulhoso os frutos de sua semeadura". Já distante, quando me virei para um ultimo aceno, revi minha mãe, e ela pareceu uma pequena árvore com galhos balançando ao soprar do vento.

Elifas Andreatto

“Não há melhor espelho que um velho amigo”
Santo Agostinho

fonte: revista Brasil - Almanaque de Cultura Popular - ano 10 -nr: 111 - julho 2008
http://www.almanaquebrasil.com.br/

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Rio, midia, carnaval e discos / 1902

Segue algumas informações de um dos livros do Darcy Ribeiro. Escolhi dois topicos de 1902, para voces pensarem sobre o termo pagode, mercantilização/popularização da música e racismo/preconceito no Brasil:
  • Tragedia no carnaval: dois blocos carnavalescos rivais se defrontaram na Praia de Botafogo. Pancadaria grossa e dois mortos. Nos velórios - a imprensa horrorizada registra - muita bebedeira e muita pagodeira. Os foliões são enterrados ao som de uma marcha de Candinho, singela na letra mas alegrissima no ritmo:

"Que bela rosa

Que lindo jasmim

Eu vi o triunfo

Lá no meu jardim"

  • Fred Figner começa a gravar discos com um repertorio de modinhas e lundus. Nos anos seguintes, gravaria e venderia milhões de discos de canções, hinos, poemas e discursos eloquëntissimos. O primeiro disco foi o lundu Isto É Bom, escrito pelo mulato Xisto Bahia e cantado pelo célebre Bahiano, mulato igualmente:

"O inverno é rigoroso

já dizia minha avó

Quem dorme junto tem frio

Quanto mais quem dorme só

Isto é bom, isto é bom

Isto é bom que dói ... "

fonte:

Livro - Aos trancos e barrancos - como o Brasil deu no que deu

Darcy Ribeiro - 2.a edição, 1985 - Editorra Guanabara

Materia sobre Blogs de samba por Andre Carvalho

Roubei mais uma materia do excelente Andre, no seu blog Couro do cabrito, aproveitem:


Blogs de Samba
Para escrever sobre blogs de samba eu preciso, antes, contar como nasceram os meus blogs de samba. Desde a época em que fiz um trabalho de conclusão de curso sobre samba de terreiro na faculdade, eu passei a pesquisar com afinco este ritmo quente. Passei, então, a publicar algumas coisas no Idéias de Improviso, que como o próprio nome diz, reúne textos diversos. Depois de algum tempo pensei que precisava fazer um blog exclusivo de samba.Surgiu este Couro do Cabrito. Aqui, coloco textos, sambas para ouvir, informações sobre discos, documentos históricos, vídeos e muito mais. Com o tempo, foi ganhando vida e, hoje, fico muito feliz quando comentam e elogiam seu conteúdo.
Pois bem, eu já tinha o Couro, mas queria postar discos de samba completos para o povo baixar. Eis que surgiu, então, o Prato e Faca. Passei a assinar Alvarenga do Morro do Chapelão neste novo blog e comecei a postar as brasas. Hoje o blog já conta com 120 álbuns. E sou bem chato no que diz respeito ao repertório: nada de Cacique de Ramos e derivados, nada de samba comercial e nada que, particularmente, eu não goste.Algum tempo depois, criei mais um blog, o Coisa da Antiga. Este aí é a menina dos meus olhos, apesar da freqüência de postagens não ser tão ágil. Explico por que gosto tanto dele: lá, eu disponibilizo fonogramas antigos, da época dos 78 rpm. Faço compilações de compositores desconhecidos e consagrados. Vibro quando vejo que uma porrada de gente já baixou os sambas do Caxiné, do Príncipe Pretinho, do Djalma Mafra...
Antes de criar estes blogs, entretanto, já fuçava na internet atrás de blogs de samba onde eu pudesse baixar bons discos. Primeiro conheci o Cápsula da Cultura, depois veio o Um Que Tenha e, mais tarde, o Loronix. São blogs com ótimos acervos: o Cápsula da Cultura disponibiliza discos de música popular brasileira difíceis de encontrar, assim como o Loronix, que só tem velharia. O Um Que Tenha põe até lançamento e por conta disso, tiveram um problema recentemente com a gravadora Biscoito Fino, que pediu para que eles tirassem do blog seus álbuns. O Fulano Sicrano, que assina o blog, atendeu prontamente.Além desses citados blogs que disponibilizam brasas, ainda temos o Toque Musical, o Abracadabra e outros baús de tesouros perdidos pela rede.Blogs com muita informação sobre sambaÉ importante ressaltar que, além desses blogs que disponibilizam discos, também existem blogs de samba com muita informação e histórias do samba. Desses todos, o que eu mais gosto é o Terreiro Grande, tocado pelo Renato Martins e pelo Ricardo Brigante. Lá podemos escutar várias raridades, ler muita coisa interessante e aprender cada vez mais sobre os antigos compositores do nosso samba.
No mesmo estilo deste blog, recentemente surgiu o Samba de Terreiro de Mauá, com informações sobre antigos bambas e algumas músicas para baixar. Preciso ainda citar os ótimos Em Nome do Samba, o Só Candeia, além do Vermute com Amendoim, que possui uma boa equipe de estudantes de jornalismo/ amantes do samba que atualizam o blog constantemente.A dica é explorar todos estes blogs e, a partir deles, conhecer novos sítios.
Com certeza tem muito mais coisa que não citei aqui. Segue a lista dos links:
Prato e Faca
Coisa da Antiga
Terreiro Grande
Cápsula da Cultura
Um Que Tenha
Loronix
Toque Musical
Abracadabra
Samba de Terreiro de Mauá
Vemute com Amendoim
Em Nome do Samba
Só Candeia

Postado por André Carvalho
fonte: Blog Couro do Cabrito

Blog Couro do Cabrito - indicação

- mais uma indicação para melhorarmos nossso uso da internet.


O Couro do Cabrito
Do couro do cabrito, do boi, do bode, do gato é que o bom mulato faz samba. Jacarandá, massaranduba, embaúba, pinho e aço, mas sem embaraço, vai logo pra debaixo do braço de algum tocador. Com algum tira-gosto, cerveja e cachaça, a graça no rosto de todos se espalha... Com a palha na cabeça, mas por favor, não se esqueça: o samba é de todos!

fonte: Andre Carvalho - Blog Couro do Cabrito

Andre Carvalho:
Quem é?
"Eu sou um apaixonado pelo samba. A relação que tenho com o samba é amor incondiconal, sou um batalhador pela valorização e resgate do samba autêntico. Ele faz tanto por mim, que me sinto na obrigação de retribuir toda essa gratidão a ele.Esse espaço é um espaço de resistência cultural. Resiste à massificação da cultura, resiste à pasteurização da cultura, resiste ao que é mediocremente imposto ao nosso povo. O samba, expressão mais pura e autêntica de nossa música popular ainda padece pela indiferença. Mas aqui não!!Sou autor (em parceria com o jornalista Iuri Ribeiro) do livro “Pagodeando – um mergulho no samba de terreiro”, ainda sem edição, além de ser o idealizador e articulador dos blogues de resistência cultural e difusão de samba bom Prato e Faca e Coisa da Antiga.Sou jornalista, sambista, compositor, e, além do Couro do Cabrito, também escrevo nos blogues Idéias de Improviso, Gorducha no Barbante e Conteúdo Coletivo."

E-mail para contato
carvalhoandre@gmail.com

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Altamiro Carrilho - choro (parte 3)

Terceira parte do texto do Tarik e detalhes do show no Guairão aqui em Curitiba, dia 16 outubro 2008. Haroldo Costa, Ze da Velha, Silverio em Curitiba - bom, muito bom!!!

Sim, além de flautista, compositor, band leader, Altamiro foi produtor, responsável pela explosão fonográfica do palhaço Carequinha (que o encontra aos 90 anos, pouco antes de falecer, no comovente “Dois meninos”, do DVD), para quem compôs entre outros os mega sucessos “O bom menino” e “Parabéns, parabéns” (ambos com Irany de Oliveira), trilha dos aniversários infantis nacionais. Inquieto, sempre procurando novos desafios virtuosísticos, o autor do irônico “O disco enguiçou”, do miscigenado “Eterno jovem Bach”, do intrincado “Enigmático”, AC é o flautista do encorpado solo de “Meu caro amigo”, clássico de Chico Buarque (e Francis Hime), cuja gravação original, de 1976, recapitula em estúdio, num dos DVDs, ao lado do compositor. Mas também é o que dueta com Roberto Carlos no programa do Rei, na TV, numa versão turbinada de “O calhambeque”.
E ainda o que se multiplica num curioso quarteto de flautas, tocando “Primeiro amor”, de Patápio. E o que se reúne a outros ases em “Choro das estrelas” (Carolina Cardoso de Menezes, Abel Ferreira, Raul de Barros, Zé Menezes, Waldir Azevedo), em mais um tape pesquisado no arquivo da TV Globo. São imagens que adensam este projeto de recolocação de Altamiro Carrilho no pedestal que sempre mereceu.
A coroação da iniciativa começa no show do Guaíra, dia 16 de outubro, reunindo Hamilton de Holanda, Carlos Malta, Cristóvão Bastos, João Lyra, Orquestra Sinfônica do Paraná, Soraya Ravenle, Alfredo del Penho, Maurício Einhorn, Silvério Pontes e Zé da Velha, Trio Catuaba (PR), João Egashira (PR) e Juliao Boêmio (PR). Todos tocarão um choro clássico e um tema de Altamiro, com arranjos de Alessandro Cardozo e Charles da Costa, músicos do grupo Zé da Verlha e Silverio Pontes.
A apresentação será de Haroldo Costa, sob roteiro de João Carlos Carino. A direção é de Carino, o mesmo do concerto seminal de Niterói. É hora de saudar o mago de 112 discos (alguns na Rússia, Japão, Itália, México), do popular ao clássico (um deles até “em compasso de choro”), que gravou. Do espiral “Modulando”, de Rubens Leal Brito (“a modulação vai da primeira à ultima nota”) ao intenso “Galope” (“o maestro Alceu Bochino me disse que equivale à dificuldade do ‘Moto perpétuo’, de Paganini, no violino”) além do “Oriental”, de Patápio Silva (“fiz 12 ‘play-backs’ usando seis flautas diferentes”). Músico instintivo que aprendeu na prática, à medida em que procurava superar-se, Altamiro Carrilho conhece o caminho das pedras. “Alguns músicos sentem inveja porque eu não cursei a Escola Nacional de Música”, confidenciou-me numa conversa na Confeitaria Colombo, inserida num dos DVDs.
E arrematou, bem humorado, numa definição de seu trajeto luminoso de sumidade auto lapidada: “Diploma não toca”. (Tárik de Souza)

Altamiro Carrilho - choro (parte 2)

segue o texto do Tarik:

Tinha cinco anos quando um menino vizinho ganhou uma flauta de brinquedo e ele pediu “à Papai Noel” uma igual. Enquanto o outro não conseguia ir além de garranchos sonoros, Altamiro logo no primeiro dia descobriu as utilidades dos furinhos, trancou-se no quarto e saiu de lá tocando a primeira marchinha. Um carteiro o levou a um professor para as primeiras aulas, impressionado com seu desempenho numa limitada flautinha de bambu.
E Moreira da Silva, o rei do samba de breque deu-lhe a primeira oportunidade de gravar, em 1943, nos meneios do samba “Juraci”, então sucesso de Vassourinha.
Altamiro passou por vários regionais, fundou o próprio e, inspirado na Lira de Aryon, assídua do coreto da pracinha de Santo Antonio de Pádua, fundou a bandinha do Altamiro. Durante “dois anos e nove meses” (como ele contabilizou), em meados dos 50, ela antecedia o “Repórter Esso”, na TV-Tupi, aos sábados, com audiência máxima, a ponto de emplacar um milhão de cópias do maxixe “Rio antigo”, em 1954.
O próprio Altamiro era o autor, como o foi de vários temas que desfilam pelos CDs. Tanto no roteiro das “Interpretações históricas” (“Esquerdinho na gafieira”, “Deixe o breque pra mim”, “Samba de morro”, “Direitinho”, “Pinguinho de gente”) quanto nos registros do concerto de Niterói, onde recebe convidados como o pianista e arranjador Gilson Peranzzetta (“Despedida”), o violinista francês Nicolas Krassik e a cantora e instrumentista Nilze Carvalho (no samba canção pré-bossa “Meu sonho é você”, com Átila Nunes), além do mano Álvaro Carrilho, seu comparsa na flauta em “Urubu-rei”.
Outros convidados de várias latitudes com quem dialoga mesclam o piano de Maria Teresa Madeira (“Corta jaca”, de Chiquinha Gonzaga), o clarinete de Paulo Sérgio Santos (“Sonoroso”, de K-Ximbinho”, “Chorando baixinho”, de Abel Ferreira), o sax de Nailor Proveta e o piano de Cristóvão Bastos (“Ingênuo” e “Ainda me recordo”, ambos de Pixin­guinha), o trombone de Zé da Velha e o trompete de Silvério Pontes (“Na glória”, de Raul de Barros, “Amor não se compra”, de Bonfiglio de Oliveira) e a gaita de Maurício Einhorn (“Pedacinhos de céu”, Waldir Azevedo). Detalhe: Einhorn teve seu clássico “Tristeza de nós dois”, com Durval Ferreira e Bebeto, e “Sambop”, só com Durval, lançados em 1960, num precioso disco produzido por Altamiro, “Nova geração em ritmo de samba”. O vinil também abria espaço para os talentos iniciantes de Eumir Deodato (“ele era muito garoto e eu o ensinei a fazer arranjo”, conta num dos depoimentos dos DVDs), Claudette Soares, Orlan Divo e do humorista Paulo Silvino, na época arriscando-se na bossa nova, que tam­bém teria Altamiro em suas fileiras.

Altamiro, Choro e o show dia 16 out - Guairao

o texto é do otimo Tarik de Souza
- tem praticamente toda a trajetoria do Altamiro e umas pinceladas na historia do choro.

“Existem flautistas. E existe Altamiro Carrilho”.

A frase do marselhês Jean-Pierre Rampal (1922-2000), reconhecido mundialmente por ter estabelecido a flauta como instrumento solista na música erudita, ganhou inesperado desdobramento quando cinco flautistas da não menos renomada Orquestra Filarmônica de Berlim foram à casa do maestro erudito Julio Medaglia, em São Paulo, em maio de 2000, para uma sessão de caipirinhas e um sarau de Altamiro. Pela TV, veio a notícia da morte de Rampal, e um dos flautistas convidados emendou de bate pronto: “Agora Altamiro pode brilhar sozinho”.
A história é narrada pelo próprio Medaglia, autor do célebre arranjo de “Tropicália” para Caetano Veloso, num dos 4 DVDs deste projeto que (re)apresenta (para não utilizar o surrado “resgata”) aos brasileiros um conterrâneo tão genial quanto esquecido.
Do projeto, além dos DVDs com seis horas de gravação – inclu­indo o concerto do músico com convidados no Teatro Municipal de Niterói, realizado em agosto de 2006, “making of”, “docuclipe”, tapes históricos e entrevistas – consta uma caixa de três CDs Poesia do Sopro, com o registro do evento e uma antologia de gravações históricas do flautista realizadas entre 1952 e 1965.
A caixa será lançada num show em Curitiba no Teatro Guaíra, dia 16 de outubro. Os DVDs A Fala da Flauta sairão em dezembro. E esta é apenas a parte inicial do projeto, que terá até um longa metragem documental, Canarinho Teimoso, assinado por Anna Sutor.

Altamiro Carrilho procede de uma nobre linhagem, que construiu a espinha dorsal da nossa linha evolutiva. Começa em Joaquim da Silva Calado (1848-1880), considerado o fundador do gênero com seu grupo O choro de Calado, à base de flauta, dois violões e cavaquinho. Segue por Viriato (Figueira da Silva, 1851-1883), fluminense de Macaé, autor da polca “Só para moer”, passa por Patápio Silva (1880-1907), o de “Primeiro amor”, fluminense de Itaocara e desemboca no notório carioca Alfredo da Rocha Viana, o Pixinguinha (1897-1973), de quem nem é preciso falar. Num episódio controvertido, Pixinguinha passa para o sax e lega a flauta a outro fluminense de Macaé, o virtuose Benedito Lacerda (1903-1958), fundador de um célebre regional com seu nome, em 1935, integrado pelos mestres Dino, Meira (professor de Baden Powell, Raphael Rabello e do sobrinho de Altamiro, Maurício Carrilho) e Canhoto. Este último, assume o grupo com a saída de Lacerda, e convoca para seu lugar um brilhante discípulo do substituído, que vira atuar nos regionais de Cesar Moreno e Rogério Guimarães. É Altamiro Aquino Carrilho, fluminense de Santo Antonio de Pádua, nascido em 1924, que se tornaria um luminar do instrumento que aprendeu a domar muito pequeno.

Altamiro Carrilho

E arrematou, bem humorado, numa definição de seu trajeto luminoso de sumidade auto lapidada: “Diploma não toca”.

(texto de Tárik de Souza - citando um comentario de Altamiro num dos trechos onde relata a trajetoria do flautista)

Cozinha do Cimples











Minhas filhotas em plena atividade na cozinha, preparando um peixe no domingo, 28

Cartola - depoimento MIS/RJ

http://www.mis.rj.gov.br/new/sons/cartola.ra

sábado, 27 de setembro de 2008

Projeto Partido Alto Samba de fato- RJ 2003

Este projeto do CCBB teve a direção do Luis Felipe de Lima, musico, arranjador, produtor, violão 7 cordas de primeira, gente boa lá do Rio. Foi realizado de 04 a 25 de fevereiro de 2003. Nesse projeto (não esta na foto) a Jandira do Grupo Bom Partido (Floripa-SC) participou e lembro que em 2002 dei uma mãozinha na sua ida num concurso de partideiros no Rio (que alias, venceu). O Bom Partido participou ativamente da programação do Cimples SambaEChoro entre 2001 e 2004, em balneario Guarapari - Pontal do Parana - Pr. Entre 2001 e 2004 trouxe alguns grandes sambistas (na minha concepção) para apresentações no Cimples entre eles Camunguelo, Tantinho, Marquinho China, Casquinha que tive o privilegio de partilhar historias e convivio por alguns dias e que estão na foto abaixo. Xango da Mangueira participou especialmente do meu aniversario em 2001 aqui em Curitiba. Na foto de divulgação CCBB, da esquerda p/direita estão: em pé> Luis F. de Lima, Camunguelo, Pedro Amorim, Marquinho China, Ivan Milanez, Tantinho, Pedro Miranda, Pretinho, Marcia Tavares, Cristina Buarque. sentados> Paulino Dias, Marquinhos Basilio, Casquinha, D. Ivone Lara, Xango da Mangueira, Nei Lopes, Arlindo Cruz e Tia Surica.



quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Aniceto do imperio - RJ

""


Não se enganem com os idolos forjados

Mestre Aniceto do Imperio - Partido Alto
Samba, jongo
- Destaque do Partido Alto,
- um dos grandes partideiros da historia.
Grande conhecedor de jongo e das tradições negras. É considerado por sambistas e grandes partideiros como Xango da Mangueira, Tantinho e Marquinho China como um dos ultimos mestres do Partido Alto legitimo. Com mais de 600 composições (!!!!! uau!!!) catalogadas e poucos gravadas tinha um estilo proprio ("construções rebuscadas" - termo do clique music)) e vocabulario diferenciado. Pois é ... tem somente um disco individual e aos 70 anos - "Partido Alto nota 10" em 1984 pela CID. Tem um outro com mestre Campolino, produção do Elton Medeiros em 1977, com nove musicas suas.
Foi fundador e orador do Imperio Serrano (1947). Estivador. Adivinhem se tocou nas radios na epoca de ouro ou esteve na TV decadas após ...
- foi reconhecido bem mais tarde e somente pelo povo do samba. Com certeza é um dos maiores.
sites consultados: Clique music, Agenda Samba-Choro

Manifestação musical - obra / artista / ouvinte ...

segundo Mario de Andrade (1893-1945):
- separei alguns trechos para nossa reflexão:

"Pode-se dizer que a manifestação musical é uma fusão de quatro entidades distintas: o criador, a obra-de-arte, o interprete e o ouvinte"

trecho fusão social pela manisfestação musical:
" O que leva o homem a criar artisticamente é principalmente o que caracterizei atras como o desejo de amigo, a comunicação com os semelhantes".

e num outro sobre o Criador:
"É um erro se imaginar que das tres entidades subjetivas que enumerei, o interprete e o ouvinte sao entidades subalternas".

sobre interprete:
" O interprete revela a obra do musico. Sujeita-se pois inicialmente a uma passividade absoluta que o leva à compreeesão da obra e do criador. "

e ouvinte:
O ouvinte se acostuma a uma determinada manifestação de arte e por critica, nunca por prazer estético, se recusa a gozar com outras manifestações artisticas que diferem dessa forma admitida. Ou mesmo imagina gostar só porque as novas manifestações se aproximam dessas formas admitidas. São as modas. ... Só é realmente digno do nome de ouvinte aquele que livre de todos os preconceitos, ignorando todos os ídolos, se conserva naquela exata atitude de contemplação passiva que lhe permite gozar e amar."

Conclusão:
"Eis a manifestação artistica musical tal qual se realiza objetivamente. É uma mensagem de amor que o criador envia a que o interprete dá da sua vida pessoal para que o ouvinte compreenda um desejo de amigo. Compreende. Se a obra-de-arte é bela o ouvinte aceita o amigo que se oferece e lhe corresponde o amor. Cabe ao ouvinte aceitar ou recusar esse amor. Se souber realmente ser ouvinte é certo que amará mais que odiará. O amor é tão fácil! ...

Fonte: livro - Mario de Andrade - Introdução à estetica musical (Hucitec - SP, 1995)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Marchinha do Claudio Jorge e Mauro Diniz e um bom blog

Andei visitando o blog do violonista Claudio Jorge (RJ), grande figura do samba e homem de otimos textos. A partir deste mes os cariocas começam a viver mais intensamente seu carnaval, então .... postei o que eu gosto... blocos, marchinhas, rua (nada de avenida)
visite: blogdoclaudiojorge.blogspot.com

VOLANTE COM CACHAÇA NÃO COMBINA(Mauro Diniz e Cláudio Jorge)

Seu taxista eis aqui meu endereço
Eu já tomeis umas e outras sim senhor
Volante com cachaça não combina
E a vida não tem preço não senhor
Sou um cachaça
Mas não sou burro não
Se eu bebo eu não pego a direção
E se não tem ninguém pra me levar
Eu dou um tempo até a coisa melhorar
Eu bebo pinga, bebo cerveja
Eu bebo tudo que tiver na mesa
Pra não contrariar minha mulher
Eu largo o carro e vou andando a pé

- eles venceram o concurso de marchinhas da Fundição Progresso no inicio de 2008(versão 2007/2008).

domingo, 21 de setembro de 2008

Indicação de livro- comidas do Brasil


Em pleno domingo fiz algumas buscas ou viagens virtuais a procura de novos pratos para a reunião do "umbigos recostados na mesa" às terças no Cimples Ócio, encontrei este blog e surrupiei o texto. Já tinha lido algumas coisas sobre o livro. É salgado (rsrsr) custa R$ 95, mas que vai adocicar e agregar valores historicos e comensais.

indicação de livro:




viagem gastronômica através do brasil
(texto de Kátia Najara (Katita - http://www.rainhasdolar.com/)

de Caloca Fernandes (é macho!)

É uma prova incontestável de que a gastronomia é dado cultural da maior importância. a generosidade da natureza para conosco, propiciando infindáveis recursos, e a inventividade do nosso povo, desde a chegada de cabral, resultaram na criação de pratos de inigualável sabor advindos de todos os cantos do país.
O livro é organizado por regiões (a cara do nosso blog). cada qual apresenta os seus quitutes mais característicos, lindamente ilustrados por fotografias enormes que parecem que vão saltar do livro, de tão vivas que são, de nossas feiras, insumos, peixes, frutas e cultura gastronômica popular.
A alimentação indígena, somada à contribuição portuguesa, à africana, um pouco da história dos nossos insumos mais característicos, como o milho, a mandioca, o feijão, o arroz, a carne-seca, o acúcar e o café, introduzem a viagem que começa pelo norte, com pato no tucupi, maniçoba, musse e brigadeiro de açaí, tacacá, beiju, pudim de tapioca, torta de cupuaçu, e tantas outras delícias à mesa.
Chegando ao nordeste, a dieta inclui as peixadas e o arroz de cuxá do maranhão, o atolado de caranguejo e a queijadinha do ceará, o bolo de rolo, a paçoca de carne, o arroz de leite e a galinha de cabidela pernambucana, até os beiços lambuzados de dendê pelo acarajé, efó, moquecas, bobó, vatapá, caruru, arroz-de-hauçá, carne-de-sol com pirão de leite, cuzcuz, mingaus, bolos de carimã e quindins de iaiá de sobremesa, aqui da bahia.
O centro-oeste nos ensina a fazer escabeche de pacu, caldo de piranhas, linguiça de maracaju, arroz com guariroba, pamonhas, arroz de pequi e arroz de puta rica, que já vale a pena só pelo nome.
O sudeste tem a contribuição do clássico tutu de feijão, angu e broinhas de milho de minas; a autêntica feijoada, o bolinho de bacalhau, o camarão com chuchu e a caipirinha cariocas;
De são paulo, o cuzcuz paulista, o filé do moraes, as rãs à inezita barroso, os pastéis de palmito, farnel, bolo do quibebe, e goiabada cascão de sobremesa.
O sul fecha o cardápio com barreado, tainha na telha, arroz de carreteiro, galeto al primo canto, vinho quente e ambrosia.
Esse livro é emocionante e fica muito bem largadão em algum lugar da casa de tão lindo que ele é. Penso tratar-se de leitura obrigatória para todos nós que gostamos de comida e história do brasil.]

Senac - São Paulo. capa dura, 30cm X 23cm. 95 pilas.


fonte:

http://www.rainhasdolar.com/

Origens do samba - Jongo / informações / fontes

Segue as referencias (livros, filmes, discos) que estavam no wikipedia:

Jongo - Referências

Bibliografia


Carneiro, Edison. “Samba de umbigada.” In: Folguedos Tradicionais. Rio de Janeiro: Funarte/INF, 1982 [1961].
Dias, Paulo. “A outra festa negra.” In: István Jancsó & Iris Kantor (orgs.) Festa: cultura e sociabilidade na América Portuguesa. São Paulo: Hucitec/Edusp/Fapesp/Imprensa Oficial, 2001.
Gandra, Edir. Jongo da Serrinha, da senzala aos palcos. Rio de Janeiro: Giorgio Gráfica e Editora ltda./UNI-RIO, 1985.
Lara, Silvia Hunold & Pacheco, Gustavo (orgs.) Memória do jongo: as gravações históricas de Stanley J. Stein. Rio de Janeiro: Folha Seca, 2007.
Pacheco, Gustavo. “Jongos.” In: Colin Palmer (ed.) Encyclopedia of African-American Culture and History: The Black Experience in the Americas. New York: Macmillan, 2005.
Perez, Carolina dos Santos Bezerra. Juventude, Música e Ancestralidade no Jongo: Som e Sentidos no Processo Identitário São Paulo: USP (Dissertação de Mestrado), 2005.
Ribeiro, Maria de Lourdes Borges Ribeiro. O Jongo. Rio de Janeiro: Funarte, 1984.
Simonard, Pedro. "A construção da tradição no Jongo da Serrinha: uma etnografia visual do seu processo de espetacularização". Rio de Janeiro:UERJ (tese de doutorado), 2005.
Silva, Gilberto Augusto da & Gouvêa, Ana Maria de. "Jongo de Piquete, um novo olhar": Histórico do Jongo de Piquete. Piquete/SP, 2007.
Silva, Marília T. Barboza da & Oliveira Filho, Arthur L. de. Silas de Oliveira: do jongo ao samba-enredo. Rio de Janeiro: Funarte, 1981.
Stein, Stanley J. Vassouras: um município brasileiro do café, 1850-1900. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1990.
Valença, Rachel Teixeira & Valença, Suetônio Soares . Serra, Serrinha, Serrano, o império do Samba. Rio de Janeiro: José Olympio, s/d.

Discografia

100% Gonça. Caixa Preta. Rio de Janeiro:Independente, 1999. CD. Digital audio.
Batuques do Sudeste. Coleção Itaú Cultural/Documentos Sonoros Brasileiros – Acervo Cachuera!, vol. 2. São Paulo: Associação Cultural Cachuera!/Itaú Cultural, 2000. CD.
Clementina de Jesus. Odeon, 1966. LP 33 1/3 rpm.
Daude #2. Daude. Rio de Janeiro:Natasha, 1997.CD.
Jongo do Quilombo da Fazenda São José. Rio de Janeiro: Associação Brasil Mestiço, 2004. CD.
Jongo da Serrinha. Rio de Janeiro: Grupo Cultural Jongo da Serrinha, 2002. CD.
Jongos do Brasil. Rio de Janeiro: Associação Brasil Mestiço, 2006. CD.
Quilombo. Grupo Basam. Tapecar, s/d. LP 33 1/3 rpm.

Filmografia

Caxambu de Sá Maria. Direção de Guilherme Fernandes. Rio de Janeiro: Independente. Vídeo (65 min.), son., color.
Feiticeiros da palavra: o jongo do Tamandaré. Direção de Rubens Xavier. São Paulo:Núcleo de Documentários da TV Cultura; Associação Cultural Cachuera!, 2001. Vídeo (56min.), son., color.
Saravá jongueiro. Direção de Bianca Brandão, Cecília de Mendonça e Luisa Helena Pitanga. Rio de Janeiro:Independente, 2003. Vídeo (24 min.), VHS, son., color.
Salve jongo!. Direção de Pedro Simonard. Rio de Janeiro:Independente, 2005. Vídeo e DVD (25 min.), son., color.